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Serviço de correio em tascos e papelarias agrada a uns e é censurado por outros

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Os CTT fecharam 53 lojas este ano e abriram 70 postos em lugares "caricatos" como tascas, cafés ou papelarias e se há clientes satisfeitos, outros censuram a falta de "confidencialidade".

MIGUEL LOPES/LUSA

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  • Agência Lusa
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Os CTT fecharam 53 lojas este ano e abriram 70 postos em lugares “caricatos” como tascas, cafés ou papelarias e se há clientes satisfeitos, outros censuram a falta de “confidencialidade” a que está obrigado o Serviço Postal Universal.

Entre uma cerveja vendida no mesmo balcão onde também é feito o levantamento de uma encomenda postal ou o pagamento da água, a vida corre normal em Livração, uma freguesia de Marco de Canaveses, no Norte do país.

Ali, o Serviço Postal Universal (SPU) é assegurado ao balcão do Café Desportivo, onde se servem cafés, sumos e torradas a clientes como Manuel Andrade, de 86 anos de idade, e que encara com satisfação o serviço “dois em um” daquele estabelecimento.

“Do lado esquerdo é para o correio, do lado direito é para pedir bebidas”, resume Manuel Andrade, explicando que se houver alguém a quebrar a confidencialidade do SPU, “o senhor do café impõe respeito”.

Amadeu Costa, 74 anos, também coabita sem constrangimentos entre cartas e encomendas e o tilintar das xícaras de café e cervejas.

“Convivo bem com isso, porque também gosto de cerveja. Também gosto de parar no café, jogar à sueca e aquilo não estorva ninguém”.

Ana Ribeiro, 25 anos, considera que em Livração o mais importante é ter os CTT próximos da população, numa “zona de passagem” e não vê problemas em ter correio e café em simultâneo.

O coordenador da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) do Porto, Nuno Fonseca, alega que a abertura de postos dos CTT em lugares “caricatos” é preocupante.

“Temos casos que são caricatos: em lojas de seguros, no supermercado, no café, na papelaria. Quase dito de forma anedótica: no meio de dois cafés e de uma cerveja faz-se um registo de uma correspondência ou entrega-se um avisado. É preocupante”, considera Nuno Fonseca.

Para a ANAFRE, a principal preocupação do plano de encerramento de lojas CTT, em curso desde 2014, é a “perda do serviço público”.

Ainda no Norte, na sede do concelho de Paredes, nasceu um posto dos CTT na Papelaria Cunha, a cerca de 200 metros de distância de uma loja/banco CTT.

Rosa Maria, dona da Cunha, conta que cartas, encomendas e “tudo o que seja avisado” passou em junho de 2017 para o seu estabelecimento.

Questionada sobre porque presta um SPU numa papelaria junto de uma loja CTT, a proprietária apenas afirma que se trata de uma “mais-valia”, porque o horário é muito mais flexível” para os clientes.

À Lusa, os CTT referem que têm vindo a “reforçar o número de pontos, mantendo a capilaridade da rede para responder com qualidade às necessidades dos clientes e a proximidade às populações, dinamizando a economia local nos casos de associação com parceiros privados”.

Fonte oficial dos CTT acrescenta que “todas as lojas prestam o serviço de entrega avisados, quer sejam registos, objetos volumosos e encomendas”.

Mas Susana Costa, cliente na Cunha, revela que não conseguiu pagar uma multa de trânsito na loja dos CTT, tendo sido reencaminhada para a papelaria.

Adelina Pinto, cliente da papelaria, também considerou que o “sigilo” e a “confidencialidade”, a que está obrigado o SPU, poderá não estar assegurado com o nascimento de postos dos CTT em sítios diferentes dos tradicionais.

“Acho mais constrangedor”, lamentou Adelina Pinto, que considera “estranho” não ter conseguido levantar uma encomenda na loja/Banco CTT de Paredes, tendo sido reencaminhada para o posto.

Dados oficiais indicam que há 2.386 postos de CTT em Portugal por onde passam “mais de 100 mil clientes por dia” e que o plano de encerramento fechou 53 lojas até ao momento.

À Lusa, os CTT indicaram que o plano não está fechado relativamente a substituições, porque a avaliação da rede de retalho é “permanente”.

“Temos avançado com algumas dezenas de substituições, sendo o ritmo mais acelerado até ao final deste ano, para em 2019 arrancar a nova fase de investimento na operação postal e logística”, declaram os CTT.

A fase do plano de encerramento pode ficar “concluída até ao final do ano”, mas os CTT assumem que 2019 e 2020 podem ser anos em que existam “substituições pontuais” em casos que considerem mais vantajoso ter um posto de correio.

O secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d’Oliveira Martins, que tem a tutela das comunicações, já veio a público avisar que o Governo não iria tolerar “margem” de “incompetência” ou “incumprimento” no SPU.

A Lusa tentou saber junto dos CTT quantas lojas encerraram no Norte do país, mas fonte oficial apenas disse que não tinham desagregado esses valores”.

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