Um, dois, três. No primeiro encontro depois da Bola de Ouro, onde terminou na sexta posição atrás de Modric, Cristiano Ronaldo, Griezmann, Mbappé e Messi, Mohamed Salah apontou um hat-trick na goleada do Liverpool frente ao Bournemouth por 4-0 que viria a dar a liderança aos reds após a derrota do Manchester City frente ao Chelsea. Três, dois, um… zero festejos efusivos depois dos golos. Alguma estranheza entre os adeptos, que se renderam ao egípcio também na zona de entrevistas rápidas, quando agarrou no troféu de Homem do Jogo, chamou Milner e deu o prémio ao companheiro que fez o 500.º encontro na Premier League. Esta noite, mais do mesmo. “Salah não celebra os golos porquê?”, perguntava-se nas redes sociais. “Salah não celebra porque os deuses não celebram, o mundo é que tem de celebrar os deuses”, respondeu um utilizador no Twitter.

No jogo grande da noite, em que tão depressa o Liverpool podia ter goleado – bastava Mané ter uma eficácia de 50% e estava feito – como o Nápoles teve oportunidades para pelo menos empatar a partida (incluindo nos descontos, com Alisson a fazer uma defesa monstruosa a um remate de Milik sozinho na área), os finalistas vencidos da última Champions asseguraram a passagem aos oitavos pela margem mínima com um fantástico golo do avançado africano, a deixar por terra Mário Rui e o central Koulibaly num curto lapso de terreno antes de colocar a bola por entre as pernas de Ospina. Mais uma vez, não festejou. Mais uma vez, teve um gesto aplaudido de pé quando, no meio das comemorações dos companheiros no final, viu uma criança com um cartaz a pedir a sua camisola e foi lá dar-lhe a recordação, sendo o último a deixar o relvado.

“Absolutamente brilhante do sensacional Salah”, escreveu o antigo goleador Gary Lineker nas redes sociais sobre o momento do 1-0 que solidificou o estatuto de Faraó de Anfield do dianteiro: em 38 encontros realizados pelo Liverpool em casa, o internacional esteve ligado a 48 golos, marcando 35 e fazendo ainda mais 15 assistências. Nos últimos 12 jogos, 11 golos; num total de 75 partidas oficiais pela equipa que trocou pela Roma em 2017, participou em 78 golos. Um verdadeiro furacão que até pode não celebrar os golos mas continua a colocar a formação de Jürgen Klopp sempre em festa.

No entanto, o triunfo que relegou os italianos para a Liga Europa acabou por não ser suficiente para chegar ao primeiro lugar do grupo (e ao estatuto de cabeça de série), depois da goleada do PSG na Sérvia frente ao Estrela Vermelha por 4-1 com golos para todos os gostos do tridente atacante (Cavani, Neymar e Mbappé) e do central Marquinhos. Mas não foi apenas aqui que a fava da noite saiu aos italianos – após ter conseguido chegar ao empate na receção ao PSV a pouco mais de 15 minutos do fim por Icardi, o Inter não voltou a marcar e recebeu más notícias de Camp Nou, onde um golo de Lucas Moura valeu ao Tottenham a igualadade (1-1) e a qualificação para os oitavos da Champions, relegando os nerazzurri para a Liga Europa.

No grupo A, a outra surpresa da noite e com toque português: na frente e a depender apenas de si para alcançar o primeiro lugar, o Atl. Madrid não foi além do nulo na deslocação à Bélgica para defrontar o Club Brugge e viu o B. Dortmund saltar para o topo da tabela com o triunfo por 2-0 no Mónaco com bis do internacional Raphaël Guerreiro, que leva a impressionante média de um golo nos quatro encontros disputados esta temporada na Liga dos Campeões.

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Desta forma, o FC Porto conhece já quatro possíveis adversários no sorteio dos oitavos, que são os segundos classificados dos grupos à exceção do Schalke 04: Liverpool, Tottenham, Atl. Madrid e Roma.

O segredo para alcançar um feito é pensar logo no seguinte (a crónica do Galatasaray-FC Porto)