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Em 2018, os Vampire Weekend comemoraram dez anos do álbum de estreia, disco homónimo que em 2008 deus aos quatro rapazes de Nova Iorque o melhor arranque possível nas coisas do indie-rock. Gente bem comportada, saída das melhores escolas e de boas famílias, camisas engomadas, sapatos de vela e aquelas canções punk-pop-festa-alternativa que não pediram licença a ninguém.

“Mansard Roof”, “Oxford Coma”, “A-Punk”, “Cape Cod Kwassa Kwassa”, “M79”. Estas chegam para nos lembrarmos do que estava em cima da mesa. E estas cinco são apenas as primeiras cinco do tal primeiro álbum. As seis seguintes eram igualmente recomendáveis. O estatuto chegou-lhes cedo, a fama também, mantém-se até hoje e cinco anos depois do último álbum, Modern Vampires of The City, se calhar já era tempo de esta gente anunciar alguma novidade, não? Ora bem: já sabíamos que um novo disco chegaria em 2009, agora está confirmada a digressão que se impunha e a necessária passagem por Portugal. Será no festival NOS Alive, a 12 de julho.

[“Mansard Roof”:]

Ainda em 2008: os Vampire Weekend chegavam, à primeira, às listas de melhores do ano em tudo o que era publicação da especialidade, e na altura muitas delas ainda tinham edição em papel, por isso vejam bem ao tempo que isto foi. Eram os maiores. E ao vivo ainda mais. Aquela expressão do “tudo a saltar”? Mais ou menos isso, mas com razão de ser. Um encanto.

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Continuaram a ótima relação com os discos e com quem os ouvia, graças a Contra, editado em 2010. Outra vez, cinco faixas: “Horchata”, “Holiday”, “Cousins”, “Giving Up the Gun”, “Diplomat’s Son”. O privilégio branco, assumido porque não havia volta a dar, a misturar a coleção de música clássica que os pais, de bons empregos, tinham na casa de variadas assoalhadas, e a sujidade bonita de “guitarra-baixo-bateria-umas-teclas-também”. Uma maravilha. Lembram-se daquele concerto no Campo Pequeno, em Lisboa? Ora bem, aquilo é que foi.

[“Cousins”:]

Mais três anos, mais um disco. Gente mais adulta, mais preocupada com tudo no geral, mas ainda com ótimas capas para os álbuns. E boa música, isso também. Continuemos nisto das listas curtas: “Step”, “Diane Young”, “Ya Hey”, “Hannah Hunt” ou “Unbelievers”. Os Vampire Weekend regressavam mais calmos, menos dados a farras noite fora, mas com a mesma mania em ter cuidado com as melodias, os arranjos, o instrumento certo a colocar em cada espaço, esse tipo de coisas que costuma distinguir as boas bandas das outras todas.

Depois, seis anos caladinhos, quietos. Pela duas razões mais óbvias: porque tinham mais que fazer; e porque não queriam fazer nada. Outros trabalhos, outras colaborações, ficar em casa e o período sabático dos costume. Vai tudo acabar. Essa brincadeira de não fazer nenhum está prestes a acabar. E nós a ver.

[“Diane Young”:]

Cinco canções de cada disco anterior. Ora cinco vezes três igual à quinze. Mais outras cinco do álbum que aí vem e faz vinte. Vinte é um número bonito para um alinhamento de festival. Fica a dica. Agora pensem.