Se o telefonema do Presidente da República em direto para o programa de Cristina Ferreira agitou a classe política e provocou acusações de populismo, pelo menos não parece ter demovido a líder do CDS de marcar presença nas novas manhãs da SIC. De avental vestido, Assunção Cristas cozinhou um prato que lhe é familiar: arroz de atum, “porque quando não há tempo nem há nada em casa, há sempre atum, arroz e polpa de tomate”. A refeição foi servida em direto e teve direito àquilo que foi anunciado como “uma surpresa”: o marido, a filha mais nova e o cão de Assunção Cristas tocaram à campainha.

“Assunção cozinheira. Assunção mulher. Assunção política. Assunção.” Foi assim que a apresentadora da SIC anunciou a convidada desta quarta-feira nas redes sociais. O programa começou precisamente com a presidente do CDS já dentro da “casa”, com o avental posto e a preparar-se para cozinhar. Dizendo-se “desenrascada”, Cristas admitiu que não tem gosto por cozinhar mas que “quando é preciso” lá está na cozinha — “e é preciso muitas vezes”. A escolha do menu — arroz de atum — foi justificada por ser uma refeição rápida e desenrascada para “quando não se tem nada em casa”. E porque “os miúdos adoram”, explicou.

Terminada a parte culinária, Cristina Ferreira já tinha avisado que havia uma surpresa, e foi aí que a campainha tocou: era o marido, Tiago Graça, e a filha mais nova do casal, Maria da Luz, acompanhados do cão da família. Sobre o facto de todos os quatro filhos terem “Maria” no nome, Cristas justificou: “Chamámos todos de Maria porque somos católicos, e gostamos muitos de Nossa Senhora”.

Ao longo do programa, a líder do CDS fez várias referências ao seu catolicismo e ao facto de ter uma família alargada, insistindo em passar a mensagem de que tem uma vida de rotinas normais. Depois de se sentarem os quatro à mesa, Assunção Cristas contou como conheceu o marido, como continua a ir à missa todos os domingos e como “ainda ontem” foi ao Colombo “comprar uma blusinha para o programa” e a interpelaram: quando as pessoas gostam, falam, dizem que vão votar “em mim” ou pedem para “tirar uma fotografia, o que é bom”.

A ideia de que tem uma “vida normal” foi muito vincada em toda a conversa. Elogiada pela apresentadora por ter “uma vida simples apesar do cargo importante”, Assunção Cristas explicou que prefere levar a vida “com alegria, com leveza, com rasgo e ambição, e com vontade de chegar mais longe”, dizendo que vai “trabalhar muito para ser primeira-ministra” e que chegará tão longe “quanto as pessoas quiserem que chegue”.

Na imagem de “vida normal” cabe por exemplo a ideia de que Assunção Cristas só se levanta da cama depois de o despertador “tocar três vezes”, e a ideia de que, segundo se queixa o marido, “demora muito tempo no banho”. Ou ainda a ideia de que em casa há distribuição de tarefas entre os filhos e entre o casal. Quem vai às compras? “Muitas vezes vai o meu marido, mas às vezes encontramo-nos ao fim da tarde no supermercado”, conta.

O catolicismo de Cristas foi outro dos temas abordados. Além da questão do nome “Maria” que deu a todos os quatro filhos, Assunção Cristas diz que continua a conseguir levar os filhos à missa todos os domingos — mesmo os filhos adolescentes. “Eles até já têm missas preferidas e por isso escolhemos a que missa vamos”, diz.

Sobre Marcelo Rebelo de Sousa, que na semana passada tornou polémica a estreia do programa de Cristina Ferreira por ter feito um telefonema em direto, Assunção Cristas também tem uma história na manga: em 2016, nas vésperas do congresso do CDS que a elegeria como líder do partido, Cristas recebeu um telefonema do já eleito Presidente da República (que ainda não tinha tomado posse formalmente). “Ligou-me a perguntar quando é que eu podia ir lá a Belém, e eu ri-me muito porque, apesar de não haver outros candidatos, eu ainda não era líder do CDS”, contou Cristas, lembrando que, assim que foi eleita, no domingo, falou com Marcelo Rebelo de Sousa e foi a Belém na segunda-feira.