Theresa May voltou a sublinhar a sua irredutibilidade na mesa de negociações do Brexit, referindo mais uma vez que é “impossível” afastar a possibilidade de o Reino Unido sair da União Europeia (UE) sem um acordo com Bruxelas.

Esta quinta-feira, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, exigiu a Theresa May que recusasse a possibilidade de uma saída litigiosa da UE como contrapartida para se sentar à mesa de negociações com a líder do governo britânico. Em resposta a uma missiva onde Jeremy Corbyn voltou a insistir nesse ponto, Theresa May respondeu:

Tomo nota de que disse que ‘recusar’ uma saída sem acordo é um pré-requisito para que os possamos reunir, mas isso é uma condição impossível porque não está dentro dos poderes do governo recusar esse cenário.”

Theresa May continua a carta, referindo que há dois cenários possíveis, no contexto do Artigo 50 da União Europeia e a legislação britânica para este efeito: ou o Reino Unido sai do UE a 29 de março, conforme previsto entre Londres e Bruxelas; ou o Reino Unido revoga unilateralmente o Artigo 50 e fica “permanentemente” na UE.

Ora, o segundo cenário, como Theresa May já tem referido, não passa pela agenda do governo, que acredita que tal decisão iria contra o resultado do referendo do Brexit, de 2016. Por isso, Theresa May impele o líder trabalhista para a primeira opção: negociar um acordo viável até 29 de março para que, dessa forma, o Reino Unido não saia sem qualquer acordo.

“Por isso, só há duas maneiras de evitar uma saída sem acordo: ou vota a favor de um acordo, em particular um acordo de saída, que tenha sido acordado com a UE; ou revoga o Artigo 50 e passa por cima do resultado do referendo. Eu acredito qe seria errado passar por cima do resultado do referendo”, termina a resposta de Theresa May.

Gravação de conversa do ministro das Finanças com empresários revela posição contrária à de May

Esta carta surge no mesmo dia em que o The Telegraph deu conta de uma reunião com o ministro das Finanças britânico, Philip Hammond, e líderes de 330 grandes empresas, entre as quais a Tesco ou a Amazon, onde foi afastada a possibilidade de uma saída litigiosa. De acordo com aquele ministro, os deputados da Câmara dos Comuns atuariam como “salvaguarda” para esse cenário, uma vez que “uma maioria dos deputados está contra uma saída sem acordo”.

A verdade é que, esta quarta-feira, o parlamento votou de forma clara contra o acordo para o Brexit apresentado por Theresa May. A moção governamental foi chumbada por 230 votos — a maior derrota da História da democracia britânica no que diz respeito a moções do governo — e Theresa May ficou de apresentar um plano B na segunda-feira, dia 21 de janeiro.