Rui Pinto — acusado de divulgar vários emails internos do Benfica e da empresa Doyen e que se encontra detido em prisão domiciliária em Budapeste, na Hungria — é também suspeito de espiar o Governo português. Segundo o Jornal de Notícias, a Polícia Judiciária está a investigar vários ataques de hackers a emails trocados entre governantes dos vários ministérios ocorridos em 2016 e 2017 e as principais suspeitas recaem neste momento sobre Rui Pinto.

A PJ está a investigar, segundo o mesmo diário, essa “exfiltração de dados” que terá incluído troca de emails entre ministros, secretários de Estado e outros altos funcionários do Estado. Os ataques ao Governo de Costa que estão a ser investigados foram reportados em 2016 e 2017 e o método seguido terá sido o mesmo que Rui Pinto utilizou nos clubes e foram feitos alegadamente pelos mesmos servidores, situados nos EUA e no Europa. Além disso, os vetores dos ataques (no fundo, a forma como foi invadido o sistema) foram os mesmos.

Para já, segundo consta do mandado de detenção europeia, o Ministério Público e a PJ pediram para ouvir o português de 30 anos por crimes de violação de segredo e extorsão qualificada na forma tentada, acesso ilegítimo e ofensa a pessoa coletiva. Ou seja: apenas está em causa o roubo de emails à Doyen, fundo de investimento especializado na compra de passes ou percentagem de passes de direitos desportivos de jogadores de futebol.