O empresário português Humberto Pedrosa, o brasileiro David Neeleman e os chineses da HNA, que integram o consórcio que detém 45% do capital da TAP, quiseram avançar com a dispersão de parte do capital da transportadora aérea na bolsa de valores. Essa é uma hipótese que está prevista pelo acordo que definiu a entrada do consórcio (Atlantic Gateway) no capital da TAP, mas sem prazos ou datas definidas — os privados tentaram que se avançasse já, noticiou o Jornal de Negócios, mas o Governo prefere que se espere até 2021 ou 2022.

Segundo o jornal, o Governo — que tem 50% do capital — não acolheu os argumentos dos acionistas privados, que queriam usar a estreia da TAP em bolsa para reforçar os capitais próprios da empresa. Mas o Governo não concordou que essa necessidade exista e seja imediata, sobretudo depois de a TAP ter obtido, recentemente, um empréstimo de 137 milhões nos mercados financeiros. Por outro lado, acrescenta o Negócios, sem especificar fontes, o Governo também considera que este não é o melhor momento nas bolsas, para que as ações fossem vendidas a um bom valor.

Mas a dispersão do capital da TAP deverá acabar por chegar, mesmo que só em 2021 ou 2022 (como admite o Governo). No memorando de entendimento que marcou a privatização parcial da TAP, foi definido que “tendo em vista o objetivo de valorização das ações da TAP, o acordo parassocial a assinar pelas partes contemplará mecanismos que permitam assegurar a venda de ações a terceiros e/ou a dispersão em bolsa do capital social da TAP, contanto que o Estado português não perca a sua condição de maior acionista da TAP”. Esta é uma das formas possíveis de os acionistas privados recuperarem todo ou parte do seu investimento.