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Era um dia especial. Em Gondomar, para Portugal, no seio da Federação Portuguesa de Futebol. Houve ao longo das últimas duas semanas um enorme investimentos pelos responsáveis nacionais na promoção deste primeiro Campeonato da Europa de sempre, com sucesso a todos os níveis, das casas cheias com mais de 2.000 espetadores às grandes audiências conseguidas na transmissão em direto na RTP. Por isso, marcaram esta tarde presença no Multiusos da cidade as principais figuras governamentais (com o primeiro-ministro, António Costa, à cabeça), federativas (o presidente Fernando Gomes, entre outros) ou desportivas, do futebol e não só (como o melhor do mundo Ricardinho ou a campeã olímpica Rosa Mota). Faltava, ainda assim, a cereja no topo do bolo. Uma cereja para a qual meia hora de exibição abnegada não chegou para apagar dez minutos iniciais falhados.

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Olhando para o histórico de encontros entre Portugal e Espanha, que reeditavam a final masculina do Europeu masculino que a Seleção Nacional ganhou há cerca de um ano, havia uma clara vantagem da formação visitante, com 15 triunfos, seis empates e sete derrotas em 28 partidas desde 1997. No entanto, e ficando pelos números desde 2012, quando a formação portuguesa ganhou em Oliveira de Azeméis nas grandes penalidades na meia-final da Taça do Mundo (perderia depois a final com o Brasil), tudo estava mais equilibrado, com vitórias para os dois lados e apenas um resultado muito desequilibrado (9-1 para a Espanha, na atribuição do terceiro e quatro lugares do Mundial de 2015). Mais recentemente, em dois particulares realizado em Tenerife no início do ano, a Espanha ganhou por 2-1 e Portugal venceu por 4-3. Ou seja, resumindo, tudo em aberto.

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Depois de uma primeira ameaça de Carla Vanessa num lance de estratégia que terminou com a bola a bater ainda na trave da baliza espanhola após ter desviado numa defesa contrária, a Espanha adiantou-se no marcador logo aos 3′, com Berta Velasco a assistir bem para o toque final de Mayte para o golo inaugural naquela que foi a primeira incursão à baliza de Ana Catarina. Dois minutos depois, foi a vez de Anita aumentar a vantagem para 2-0, beneficiando de um erro em zona proibida de Sara Ferreira quando era a última unidade na retaguarda. Na véspera, o selecionador Luís Conceição falara nos pormenores para decidir aquilo que seria “um jogo do rato e do gato” e o conjunto espanhol foi mais consistente nesse aspeto logo a abrir.

Aos dez minutos, no epílogo de uma entrada falhada que seria decisivo para o resultado final, o momento do jogo: numa altura em que Portugal já tinha pedido desconto de tempo para tentar acalmar a equipa e corrigir alguns aspetos que não estavam a funcionar da melhor forma, a Espanha beneficiou de um livre e o remate de Amelia Romero acabou mesmo por entrar na baliza nacional, beneficiando de um (raro) erro de Ana Catarina, a melhor guarda-redes do mundo em 2018 (10′). A Seleção Nacional, sobretudo nos últimos cinco minutos antes do intervalo, subiu em termos coletivos, teve outra capacidade em termos ofensivos mas Sílvia Aguete foi sempre um muro intransponível, travando remates com perigo de Carla Vanessa, Pisko e Janice, tendo ainda Sara Ferreira acertado nas malhas laterais em mais uma boa oportunidade desperdiçada.

No segundo tempo, e ao contrário do que tinha acontecido na metade inicial, Portugal começou melhor, teve situações de saídas em ataque rápido com superioridade numérica, oportunidades de 1×1 com a guarda-redes espanhola (Sara Ferreira) e até uma bola de Lídia Moreira que se encaminhava para a baliza sem oposição mas que acabou por acertar numa defesa espanhola mas não houve forma de encontrar a solução certa para chegar ao golo e, numa altura em que a Seleção Nacional arriscava tudo com Pisko como guarda-redes avançada, Sotelo fez o 4-0 final a quatro minutos do fim.