Olhando para o panorama das principais modalidades de pavilhão, existe uma clara diferença no plano internacional entre hóquei em patins ou futsal, que costumam ter equipas portuguesas nas decisões da Liga dos Campeões, e voleibol, andebol e basquetebol, que por norma lutam num segundo escalão europeu longe das principais formações em cada um dos desportos. No entanto, e no caso do voleibol, começa a existir já alguma tradição das formações nacionais em atingir as fases avançadas de outras competições, neste caso a Challenge Cup. E esta temporada voltou a não ser exceção, ainda que sem presença na final.

Depois da derrota inglória do Benfica nos quartos frente aos russos do Belogorie Belgorod, numa eliminatória decidida apenas no golden set na Luz, o Sporting, campeão nacional e segundo classificado da fase regular atrás dos encarnados, ficou como único representante português na Challenge Cup, após eliminar o Fonte Bastardo. E a primeira mão frente ao VV Monza, em Itália, até abriu boas perspetivas aos leões de atingirem pela primeira vez uma final europeia de voleibol, com um triunfo por 3-2 depois de ter estado a perder por 2-0. No entanto, na segunda mão realizada esta quarta-feira no Pavilhão João Rocha, os transalpinos foram muito superiores, ganhando em apenas três sets com os parciais de 25-20, 25-23 e 25-17.

A ansiedade e o serviço adversário acabaram por ser opositores demasiado fortes para os leões no primeiro set, que começou a ficar decidido logo na primeira rotação quando os transalpinos chegaram a uma vantagem de seis pontos (8-2) assente sobretudo num serviço muito agressivo que colocou grandes dificuldades à receção verde e branca. Os comandados de Hugo Silva ainda foram conseguindo atenuar a diferença com Marshall inspirado em termos ofensivos e uma boa variação entre serviços táticos, flutuantes e em força, mas mais uma série de erros acabou por colocar de novo o avanço do VV Monza nos cinco pontos com que se chegaria ao fim do primeiro parcial com vitória para os visitantes (25-20).

No segundo set, apesar dos três pontos consecutivos feitos pelos italianos logo a abrir, o Sporting conseguiu pequenas vantagens até meio do parcial fruto de uma clara melhoria no bloco e na defesa baixa (chegou a ter dois pontos) mas a decisão de um árbitro de linha que deu o 18-18 ao VV Monza, muito contestada pelos jogadores leoninos, acabou por tirar alguma concentração à equipa verde e branca, que ficou em desvantagem e não mais conseguiu travar o ataque contrário, perdendo por 25-23. Depois da influência de Thomas Beretta, foi a vez de Donovan Dzavoronok passar para a frente como melhor marcador dos transalpinos; do lado contrário, Leonel Marshall e André Brown eram as principais referências atacantes.

Em desvantagem por dois sets, face às melhorias reveladas no decorrer da segunda partida e até pela reviravolta conseguida em Itália na semana passada, tudo apontava para que o Sporting mostrasse outra fase no terceiro set mas esse acabou por ser o pior momento da equipa comandada por Hugo Silva: depois de uma entrada onde os leões até foram andando na frente, uma série de erros (alguns quase primários) “cavou” um fosso que as várias alterações que foram sendo introduzidas na equipa já não foram a tempo de inverter, com o VV Monza a ganhar por 25-17 com Oleh Plotnystskyi e Viktor Yosifov em destaque.

25 anos depois, o Sporting voltou às competições europeias e, curiosamente, até fez mais jogos internacionais nesta Challenge Cup (dez) do que em toda a sua história até então, entre Taça das Taças e Taça dos Campeões Europeus (oito, entre 1991 e 1993). No entanto, e depois de terem ultrapassado VC Fentange (Luxemburgo), Stroitel Minsk (Bielorrússia), Maliye Piyango (Turquia) e Fonte Bastardo, os leões não conseguiram contrariar o maior poderio do VV Monza, que espera agora o vencedor da outra meia-final entre os russos do Belogorie Belgorod e os franceses do Stade Poitiers. E o Sp. Espinho permanece como única formação portuguesa a ganhar uma prova internacional, no caso a CEV, em 2001 (3-2 com diante dos russos do Izumrud Ekaterinburg), com uma equipa onde já estavam Miguel Maia e Hugo Ribeiro, hoje jogadores verde e brancos.