Associação Mutualista

Tomás Correia não sai do Montepio. Não será “secretariozeco ou ministro” a afastar órgãos sociais, diz Vítor Melícias

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Tomás Correia não mostrou no Conselho Geral qualquer intenção de saída, garantindo que a idoneidade não será reavaliada. Melícias diz que não é um "secretariozeco ou ministro" que vai afastar órgãos.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Tudo na mesma na Associação Mutualista Montepio Geral. Tomás Correia não mostrou qualquer sinal de querer sair da liderança da associação, na reunião do Conselho Geral desta terça-feira. Isto apesar da deterioração das contas, com perda de associados e, por outro lado, a avaliação de idoneidade que o Governo indicou estar para breve, assim que seja feita uma “norma interpretativa” para “clarificar” uma lei que o presidente do supervisor dos seguros continua a defender que não justifica que seja ele a avaliar a idoneidade de Tomás Correia para o cargo. Mas Tomás Correia garante que não irá haver qualquer avaliação de idoneidade e o Padre Vítor Melícias rematou: “não é um secretariozeco ou um qualquer ministro que vai afastar uns órgãos sociais democraticamente eleitos“.

Fonte com conhecimento do processo, ouvida pelo Observador, confirmou que Tomás Correia manteve a linha habitual, passando uma mensagem de absoluta tranquilidade em relação à sua permanência no cargo. Por um lado, garantiu estar confiante de que não haverá qualquer avaliação de idoneidade e considerou a contraordenação do Banco de Portugal um “ataque miserável” à sua liderança, com uma acusação que, segundo o próprio, será derrotada com pareceres de especialistas que já terão concordado com a análise de Tomás Correia.

O presidente da mutualista, sobre quem se escrevia na semana passada que estaria sob forte pressão para se demitir, entregou, mesmo, um documento extenso, em papel, a cada um dos conselheiros. Trata-se da sua defesa contra a contraordenação do Banco de Portugal, contra a qual já anunciou que irá recorrer.

Por outro lado, as contas da mutualista, que foram apresentadas aos conselheiros só nesta segunda-feira (o parecer do auditor e do conselho fiscal só, mesmo, nesta reunião de hoje), não foram alvo de qualquer votação neste órgão que é o Conselho Geral, que é eleito pelos associados da mutualista. As contas serão votadas apenas, portanto, na próxima assembleia-geral da mutualista.

No final da reunião, o Padre Vítor Melícias prestou o seu apoio a Tomás Correia: “isto não pode ser assim, os órgãos sociais da Associação Mutualista foram legitimamente eleitos e não é nenhum secretariozeco nem nenhum ministro que vão retirar do cargo pessoas democraticamente escolhidas pelos associados”, terá dito o presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Associação Mutualista, sem especificar exatamente de que pessoas estava a falar.

O padre Vítor Melícias, ao centro, ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa, é presidente da mesa da AG da mutualista Montepio.

Fonte da assessoria de Tomás Correia confirmou, ouvida pelo Observador, que “a reunião dos 23 membros do Conselho Geral correu de forma tranquila, como se esperava” e garantiu que “Tomás Correia se mostrou disponível para discutir todos e quaisquer temas que preocupassem os conselheiros, sendo que ninguém acrescentou qualquer ponto à ordem de trabalhos (além da ordem estabelecida, que incluía um ponto sobre “outros assuntos”).

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