Acidentes de Aviação

São já 53 os países que fecharam os espaços aéreos ou imobilizam novos Boeing 737 MAX

Portugal, Brasil e EUA são os 53 países que interditaram os seus espaços aéreos ou viram companhias nacionais suspender temporariamente a utilização de aeronaves Boeing 737 Max.

BOEING HANDOUT/EPA

Os Estados Unidos são o último país a proibir os voos com aviões Boeing 737 Max, depois da queda do aparelho da Ethiopian Airlines, no domingo. São já assim 53 que países que interditaram os seus espaços aéreos ou viram companhias nacionais suspender temporariamente a utilização destas aeronaves, entre eles Portugal, Brasil e Guiné Equatorial.

A queda do aparelho da companhia aérea etíope, um Boeing 737-8 Max, que matou as 157 pessoas que seguiam a bordo, apresenta semelhanças sensíveis ao incidente de outubro último, com outro Boeing do mesmo modelo pertencente à Lion Air, uma companhia da Indonésia, que matou 189 passageiros e tripulação.

Os dois incidentes levaram um número crescente de países a fechar os respetivos espaços aéreos, assim como de companhias a decidirem imobilizar os novos Boeing (737-8 Max e 737-9 Max).

Os dois novos modelos da Boeing são os atuais campeões de vendas da construtora aeronáutica norte-americana, mas os 376 aparelhos entregues até fevereiro a companhias aéreas e de ‘leasing’ em todo o mundo, é um número ainda relativamente pequeno, quando comparado com um total de 24.400 aeronaves do construtor norte-americano a sobrevoar o planeta em finais de 2017.

Ao grupo de países que seguiram a decisão da autoridade de aviação civil da China, e depois da Etiópia e da Mongólia na segunda-feira, juntaram-se no dia seguinte os 28 membros da União Europeia, entre vários outros países, e ascende agora a 52 o número de capitais que anunciaram o encerramento dos respetivos espaços aéreos ou a imobilização de aparelhos daqueles modelos.

A lista dos países e respetivos argumentos para imobilizarem os modelos Max da Boeing ou fecharem os seus espaços aéreos a estes modelos são os seguintes:

União Europeia

A Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA, na sigla inglesa) determinou na terça-feira o encerramento do espaço aéreo europeu a dois modelos Boeing 737 Max, após o acidente com a aeronave da Ethiopian Airlines.

Em comunicado enviado à Lusa, a EASA sublinhou que, na sequência do acidente envolvendo o Boeing 737-8 MAX, da Ethiopian Airlines, tomou “todas as medidas necessárias para assegurar a segurança dos passageiros”.

“Como medida de precaução, EASA emitiu (…) uma diretiva, efetiva a partir das 19.00 GMT (de 12 de março, mesma hora em Lisboa), suspendendo todos os voos de todos os Boeing 737-8 MAX e 737-9 MAX na Europa”. A EASA emitiu ainda uma Diretiva de Segurança, efetiva à mesma hora, suspendendo “todos os voos comerciais realizados por operadores de países terceiros dentro, ou fora da UE, dos modelos mencionados”.

A decisão abrange a Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suécia.

A companhia Tuifly (Alemanha e Reino Unido) que opera com 15 aviões Boeing 737-8 MAX decidiu entretanto suspender a sua utilização, o mesmo acontecendo com as cinco aeronaves da LOT (Polónia).

Resto da Europa

Islândia

A companhia Icelandair, que opera três Boeing 737-8 MAX, anunciou na terça-feira que “suspendia temporariamente” a operação com aqueles aparelhos.

Noruega

A companhia ‘low cost’ norueguesa Air Shutle fez saber na terça-feira que suspendeu os voos dos seus 18 Boeing 737 MAX até nova decisão, a ser tomada pela autoridade reguladora da aviação civil norueguesa, e seguindo medidas semelhantes tomadas por “múltiplas autoridades de aviação”.

Sérvia

A Sérvia fechou na terça-feira o seu espaço aéreo a todos os Boeing 737 MAX, impedindo ainda a “descolagem e aterragem em todos os seus aeroportos” destes modelos. A autoridade de aviação civil sérvia esclareceu que seguia as diretivas da União Europeia sobre o assunto.

Rússia

A companhia S7 suspendeu o uso das duas aeronaves do modelo 737-8 MAX que tem em operação.

Turquia

A companhia aérea turca anunciou na terça-feira que suspendia os voos dos 12 Boeing 737 MAX que possui, indicando que os seus aparelhos “deixam de realizar voos comerciais a partir de 13 de março”, “até que sejam esclarecidas as questões de segurança” em torno destas aeronaves.

Resto do Mundo

Argentina

A Aerolineas Argentinas anunciou logo na segunda-feira uma ordem de suspensão da operação com os seus cinco Boeing 737-8 MAX, enquanto aguarda pelo resultado das investigações à queda do aparelho da Ethiopian Airlines.

Austrália

O regulador australiano da aviação civil suspendeu temporariamente na terça-feira os modelos de voarem de e para a Austrália, “enquanto aguarda por mais informação que permita rever os riscos de segurança da operação continuada” com estes aparelhos.

Na altura da decisão, a companhia Fiji Airlines era o único operador de aparelhos Boeing 737 MAX a ser diretamente afetado pela decisão da Austrália, uma vez que a outra companhia a voar de e para o país com aeronaves daqueles modelos — a SilkAir, de Singapura, tinha também imobilizado os respetivos aviões — mas as Ilhas Fiji tomaram pouco depois uma medida semelhante.

Cazaquistão

A companhia aérea cazaque, SCAT Airlines anunciou na terça-feira a imobilização temporária do Boeing 737-8 MAX que opera.

China

A autoridade civil chinesa foi a primeira a solicitar, na segunda-feira, às companhias da China que suspendessem os voos do Boeing 737-8 Max até à confirmação das autoridades norte-americanas e da Boeing “das medidas tomadas para garantir efetivamente a segurança dos voos” e depois de sublinhar “semelhanças” identificadas entre os acidentes da Ethiopian Airlines e o da Lion Air, em outubro.

Um total de 76 Boeing 737 MAX foram entregues a uma dúzia de companhias aéreas chinesas, incluindo a Air China, a Hainan Airlines e a Shanghai Airlines.

Coreia do Sul

O ministério sul-coreano dos Transportes anunciou hoje que os dois Boeing 737 MAX 8 operados pela sua ‘low cost’ Eastar Jet serão imobilizados e a respetiva operação retomada apenas após inspeção.

Egito

O ministério egípcio dos Transportes anunciou hoje o encerramento do espaço aéreo do país a todos os Boeing 737 MAX, especificando que os modelos da Boeing ficam impedidos de “descolar e de aterrar” nos aeroportos do Egito, por forma a garantir “a segurança dos passageiros”.

Etiópia

Na Etiópia, após o trágico acidente do voo ET302, no domingo, em que morreram 157 pessoas, a Ethiopian Airlines decidiu imobilizar toda sua frota de Boeing 737 MAX “até novo aviso”, anunciou na segunda-feira a companhia nacional etíope, que operava até agora quatro destes novos modelos da construtora norte-americana de um total de 29 encomendados.

EUA

Foi o último país a anunciar a suspensão destes voos da Boeing, na tarde desta quarta-feira.

Golfo

Três estados do Golfo — primeiro Omã e depois Emirados Árabes Unidos e Koweit — anunciaram na terça-feira e hoje o encerramento dos respetivos espaços aéreos e, no caso de Omã, a “suspensão temporária” da operação com os cinco Boeing 737 MAX ao serviço da Oman Air.

Guiné Equatorial

A Guiné Equatorial anunciou o encerramento do seu espaço aéreo ao Boeing 737-8 MAX.

Índia

O Governo indiano anunciou hoje a imobilização da sua frota de Boeing 737 MAX, até serem introduzidas nos aparelhos as “modificações apropriadas e medidas de segurança que garantam operações seguras”.

Indonésia

A Indonésia, onde um Boeing de modelo semelhante ao etíope se despenhou em 29 de outubro de 2018, com 189 pessoas a bordo, anunciou na terça-feira a imobilização dos seus 11 aparelhos Boeing 737-8 MAX e o encerramento do espaço aéreo do país aos dois Boeing 737 MAX.

O país começou a inspecionar estes aviões e os mesmos permanecerão em terra até receberem autorização para voar por parte dos reguladores de segurança.

Dez Boeing 737-8 Max indonésios são operados pela Lion Air e o restante pertence a outra companhia do país, a Garuda.

A Lion Air anunciou a intenção de adiar a receção de mais quatro novos Max 8 prevista para este ano, e está a reavaliar a situação.

Malásia

A autoridade de aviação civil da Malásia fez hoje saber que nenhuma companhia do país opera os modelos da Boeing em causa, e anunciou a suspensão das operações dos Boeing 737 Max 8 de e para a Malásia, assim como o trânsito do modelo no espaço aéreo do país até nova decisão.

Mongólia

A autoridade de aviação civil da Mongólia anunciou na segunda-feira através da rede social Facebook que deu indicações à companhia aérea nacional MIAT para imobilizar o seu único Boeing 737 MAX 8.

Namíbia

A Namíbia fechou os seus aeroportos a toda a série de 737 MAX, assim como encerrou o seu espaço aéreo aos novos modelos da Boeing.

Nova Zelândia

A autoridade de aviação civil da Nova Zelândia anunciou hoje a imposição “temporária” do encerramento do espaço aéreo do país aos Boeing 737 MAX, após consultas mantidas com outras autoridades congéneres. A decisão do regulador “tomou em consideração o nível de incerteza em relação às causas do acidente recente da Ethiopian Airlines somadas à [sua] avaliação relativa à configuração [técnica] do aparelho”.

De acordo com o regulador neozelandês, apenas a Fiji Airlines voava para Nova Zelândia com os Boeing 737 MAX.

Singapura

O regulador da aviação civil de Singapura anunciou hoje a “suspenção temporária” a partir das 14:00 (06:00 em Lisboa) “das operações de todas as variantes do avião Boeing 737 MAX de e para Singapura, à luz de dois acidentes fatais envolvendo 737 MAX em menos de cinco meses”.

A SilkAir, o braço regional da Singapore Airlines, opera seis Boeing 737 MAX 8.

Vietname

O Vietname interditou o seu espaço aéreo a todos os Boeing 737 MAX.

Brasil

A companhia aérea brasileira GOL suspendeu temporariamente, logo na segunda-feira, o uso dos seus sete aviões Boeing 737-8 MAX, utilizados em voos internacionais de longo curso.

A decisão foi partilhada no ‘site’ da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) brasileira, que anunciou estar a “acompanhar” as notícias do acidente com uma aeronave da Ethiopian Airlines, e de manter “contacto com a empresa fabricante da aeronave, com a autoridade que originalmente a certificou, bem como com a GOL para avaliar as medidas que podem vir a serem adotadas”.

As sete aeronaves do modelo 737-8 MAX da GOL operam, maioritariamente, em rotas para os Estados Unidos, América do Sul e Caraíbas.

Etiópia

Após o incidente de domingo, a Ethiopian Airlines imobilizou temporariamente os seus restantes quatro Boeing 737-8 MAX.

Emirados Árabes Unidos

A flyDubai suspendeu o uso das suas 13 aeronaves do modelo 737-8 MAX.

México

A Aeromexico suspendeu o uso das suas seis aeronaves do modelo 737-8 MAX.

África do Sul

A Comair

Ilhas Caimão

A Cayman Airways suspendeu o uso das duas aeronaves do modelo 737-8 MAX que tem em operação.

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