Brexit

Sem apoios, Theresa May recusa levar o acordo de novo a votos para já: “Lamento constatar que ainda não há apoio nesta Câmara”

Primeira-ministra reconhece que continua sem ter apoio no Parlamento em torno do seu acordo e por isso não apresentará o documento a votação por agora. Negociações prosseguem.

Theresa May à saída de Downing Street com o ministro para o Brexit, Stephen Barclay

AFP/Getty Images

A primeira-ministra britânica Theresa May reconheceu esta segunda-feira, perante o Parlamento britânico, que continua sem ter uma maioria que garanta a aprovação do seu acordo na Câmara dos Comuns, o que significa que não apresentará o acordo para ser votado esta terça-feira, como tinha sido sugerido. “Continuo a acreditar que o caminho certo é sair da UE com um acordo o mais cedo possível. Mas lamento constatar que ainda não há apoio nesta Câmara para regressar para uma terceira votação”, declarou May perante os deputados.

No entanto, isso não significa que o acordo não possa vir ainda a ser votado esta semana, como o Conselho Europeu exigiu a fim de adiar o Brexit até a maio. May garante que continuará a negociar com os deputados para tentar reunir uma maioria em torno do seu acordo:

Continuarei as conversações para conseguir apoio e garantir o Brexit. Se não conseguirmos, o Governo conseguirá uma maioria sobre o caminho a seguir”, afirmou a primeira-ministra.

Em causa está uma possível saída sem acordo a 12 de abril, caso o acordo não seja aprovado nem for pedido um novo adiamento — que a UE afirmou só aceitar caso haja alguma alteração de substância.

A declaração desta segunda-feira surge depois de os aliados do Governo no Parlamento, os norte-irlandeses unionistas do DUP, terem voltado a sublinhar que não apoiam o acordo da primeira-ministra. Depois de um telefonema entre May e a líder do partido, Arlene Foster, o DUP voltou a afirmar, pouco antes da sessão no Parlamento, que continua a não apoiar o acordo.

Nos Comuns, o líder parlamentar dos norte-irlandeses, Nigel Dodds, confrontou de seguida May e chegou mesmo a apelidar ao backstop, o mecanismo criado para impedir uma fronteira rígida entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, como sendo “do diabo” perante os deputados.

Se acordo não for aprovado, votos indicativos são alternativa. Mas May está “cética”

Esta segunda-feira, o Parlamento votará ainda a emenda parlamentar Letwin que, se for aprovada, dará ao Parlamento o poder de tomar conta da agenda parlamentar na quarta-feira, em vez de ser responsabilidade do Governo. May afirmou que o Governo está contra essa emenda, que classifica como “um mau precedente”, que poria em causa “o equilíbrio das instituições democráticas”.

O líder da oposição, Jeremy Corbyn, declarou que o seu partido votará a favor desta emenda. Perante a primeira-ministra, Corbyn classificou de “vergonha nacional” a estratégia do Governo para o Brexit: “Depois de dois anos de falhanço e promessas quebradas, a primeira-ministra finalmente aceitou o inevitável e pediu uma extensão”, afirmou o líder trabalhista. “Mas continuamos a enfrentar a possibilidade de um Brexit sem acordo.”

A primeira-ministra disse que poderia vir a permitir a realização dos chamados votos indicativos, onde o Parlamento vota caso a caso numa série de cenários possíveis para o futuro, caso o seu acordo não seja aprovado até ao final da semana. May alertou, no entanto, que está “cética” face aos bons resultados do processo, “que no passado já produziu resultados confusos ou nenhum resultado de todo”.

A primeira-ministra defendeu-se sobre a eficácia dessas votações: “Nenhum Governo pode passar um cheque em branco sem saber o que vai aprovar”, decretou. Em vez disso, May diz que estará disponível até ao final para negociar diretamente com os deputados.

(Em atualização)

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: cbruno@observador.pt
União Europeia

A tragicomédia do Brexit /premium

Manuel Villaverde Cabral

É devido às razões de fundo da construção europeia, iniciada e discutida em profundidade há mais de 60 anos, que a União Europeia não podia em caso algum facilitar a saída do Reino Unido.

Política

A protecção da família em Portugal

Luiz Cabral de Moncada

A família, enquanto célula principal da sociedade e berço da moral, como bem se sabe na Calábria, está mais garantida do que nunca. Nunca será esquecida pelos partidos quando no poder político.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)