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Floawting. Uma casa que é um barco com design e tecnologia 100% portuguesa

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A casa flutuante Floawtig, atracada no rio Douro, combina o design contemporâneo com tecnologia inovadora e conforto. Do conceito à decoração, é 100% portuguesa.

É em Caldas de Aregos, em Resende, que está atracada no rio Douro a Floatwing, uma casa barco inovadora

Já pensou pernoitar numa casa equipada, mobilada, confortável e flutuante? Os fundadores da Friday pensaram e puseram mãos à obra. A startup nascida em 2012, em Coimbra, aposta no design, engenharia e tecnológica de equipamentos e elegeu dois produtos como bandeira: uma família de casas flutuantes e um submarino de recreio e investigação.

“As casas chegaram primeiro ao mercado, por serem mais simples do ponto de vista tecnológico, o submarino está inteiramente projetado, certificado e acabamos de aproar uma patente internacional da nossa tecnologia, estamos à espera do investimento para podermos concretizar o projeto”, revela Fernando Seabra Santos, CEO da empresa, em entrevista ao Observador.

Estas moradas com proa e popa surgiram em 2015 com um primeiro protótipo no Alqueva, agora pertencente a outra empresa. Nos dois anos seguintes, a Friday exportou modelos para vários países da Europa, África e Ásia.

Ainda não conseguimos entrar no continente americano, mas temos esperança de que rapidamente conseguiremos esse objetivo. Consideramos que é o grande mercado deste nosso produto porque existe cultura, vontade e capacidade de aquisição”, explica o responsável.

Tecnologicamente inovadoras, estas casas evoluíram para um conceito mais abrangente, batizado de plataformas flutuantes multifuncionais, uma vez que além de alojamento são também restaurante, bar, escritório, ginásio ou sala de reuniões, existindo um mundo de possibilidades e adaptações. Em 2019, a Friday lança uma espécie de showroom na primeira criação da empresa a permanecer em território nacional: na Marina de Caldas de Aregos, em pleno rio Douro.

As comodidades de uma casa sem alicerces

“A vantagem de aqui estarmos é termos 200 quilómetros navegáveis e podermos instalar esta casa ou qualquer outra semelhante, numa das marinas do Douro”, explica Fernando Seabra, realçando a possibilidade de “hoje dormir aqui e amanhã acordar com uma paisagem diferente”. Os dois motores de popa permitem que os seus utilizadores posicionem a casa flutuando sobre as águas a uma velocidade moderada de 9 quilómetros por hora. A mobilidade é apenas uma das características de uma plataforma autónoma, modular e ecologicamente consciente.

Com o comprimento de 14 metros e 6 metros de largura, a casa é “larga e estável”, tem capacidade para 28 pessoas e oferece uma cozinha equipada, casa de banho com direito a banheira, um terraço, um sistema de ar condicionado, isolamento térmico, um fogão de pellets, uma estação de tratamento de águas residuais e painéis solares, que permitem total autonomia energética. “Graças a uma produção autónoma de energia que ainda não existe no mercado, as nossas casas podem largar as amarras e estar literalmente durante seis meses ou um ano, dependendo das latitudes, fora da marina”, garante Fernando Seabra.

A tipologia modular permite que o espaço se adapte a qualquer necessidade e varie de uma suite a um T4. As plataformas flutuantes vão de 60 a 108 metros quadrados e a largura é sempre a mesma, seis metros. “A casa mais pequenas que fizemos tinha 10 metros de comprimentos, a maior tinha 18 e é certificada para 48 pessoas. Estamos agora a fazer uma de 18 metros para a Suíça, na qual o cliente quer instalar uma sala de yoga”, conta o CEO.

Do conceito à tecnologia, passando pela decoração em madeira ou em cortiça, o projeto é uma vénia ao talento nacionale, com exceção dos eletrodomésticos, os os fornecedores são portugueses. Três meses de produção e três dias de montagem no local parece ser o suficiente para colocar uma casa destas de pé. São transportadas em contentores, o que faz com que possa existir em qualquer sítio do mundo onde circule um camião: “Esta casa representa uma evolução tecnológica, não é só um design agradável, é também um produto tecnológico inovador”, resume Fernando Seabra Santos.

Aluguer, financiamento e expetativas

A Friday vai começar a explorar comercialmente esta casa a partir de 1 de maio, alugando-a em duas modalidades. Como suite de hotel, permanecendo na marina, o valor ronda os 300 euros por noite. Com direito a um skipper e a pequenos cruzeiros, de três dias a uma semana o valor é de 500 euros por noite. “Na segunda modalidade oferecemos transporte desde o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, serviço de catering a bordo, entrega de produtos para confecionar as próprias refeições, entre outras coisas.”

O financiamento do projeto, cujo valor não foi revelado, foi suportado entre 70% a 80% pela Portugal Ventures, sociedade que apoia a Friday desde 2014, sendo que o restante investimento ficou a cargo do Quadro de Referência Estratégica Nacional e do Portugal2020. Cada casa flutuante requer um investimento que pode oscilar entre 120 mil e 300 mil euros, dependendo do comprimento da casa e da área

O plano de negócios da Friday passa por vender 5 a 10 casas até ao fim do ano, exportando-as, e alargar para o dobro a capacidade de produção. “Estamos em negociações com americanos para exportar a a nossa tecnologia para os EUA e considerar a hipótese de constituir uma empresa lá que faça a produção local. Estamos a tentar encontrar um parceiro americano que esteja interessado em desenvolver esse projeto connosco”, explica Fernando.

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