Família

O cinema infantil saiu à rua dentro de um insuflável

Aqui os mais novos não saltam descalços, não competem para ver quem escorrega mais depressa nem mergulham em bolas coloridas. No Cinema Insuflável veem-se filmes, alguns pouco conhecidos.

Depois da estreia em 2018, o Cinema Insuflável regressa às ruas a partir de 30 de março

Divulgação

Autor
  • Maria Martinho

Esqueça os bilhetes, as pipocas ou os óculos 3D. No Cinema Insuflável o mais importante é mesmo o filme exibido numa sala original e edificada em apenas dez minutos.

O projeto ganhou forma no ano passado “para tornar acessível a diversidade cultural aos mais pequenos”, nas palavras do coordenador Sérgio Marques. Formado em educação visual, este portuense que sempre gostou de cinema descobriu uma máquina de filmar 35 mm quando trabalhava na Fundação Inatel. A relíquia foi o mote ideal para se tornar programador e desenvolver a iniciativa Cinema Fora do Sítio, onde transportava a sétima arte para o espaço público. Durante sete anos o conceito passou pelo Porto, Lisboa e Algarve, mas Sérgio percebeu que a ideia de uma sala de cinema itinerante podia e devia chegar também ao público infantil.

“Ao contrário do teatro, do desenho ou da música, o cinema não é uma coisa muito trabalhada junto dos mais novos, pois é necessária uma sala solene. Claro que podemos ver filmes na televisão, mas ir ao cinema é outra coisa. É uma experiência coletiva, uma espécie de compromisso”, diz.

A sala tem as paredes densas para isolar o som e 30 cadeiras de 1950. © Dinis Santos

Transformar uma simples ida ao cinema em algo prático, divertido e gratuito foi a premissa da equipa, que em 2018 se juntou à Câmara Municipal do Porto, co-produtora da iniciativa, ao Instituto do Cinema e do Audiovisual e ao estúdio R2 design. Em poucos meses foi construída uma sala inclinada com paredes densas, para isolar o som, 30 cadeiras de 1950, recicladas de um antigo cinema em Albergaria-a-Velha, duas colunas de som e uma tela com um projetor.

Da animação ao documentário, passando pela ficção e pelo cinema experimental, as curtas-metragens duram entre 30 a 40 minutos, dividem-se por faixas etárias, dos três aos 12 anos, com horários variáveis de manhã e de tarde. O cartaz é composto pelas sugestões dos programadores da casa, Anabela Moutinho e Abi Feijó, mas também resultam de parcerias com festivais internacionais de cinema infantil. Os filmes exibidos são 80% estrangeiros, vindos maioritariamente do Canadá, Rússia ou França, todos legendados ou dobrados em português. Este ano a principal aposta recai nas películas brasileiras e na variedade de géneros.

Próximos locais

30 de março – Parque Urbano da Pasteleira, Lordelo do Ouro
6 de abril – Jardim das Pedras, Bonfim
4 de maio – Quinta do Covelo, Paranhos
8 a 10 de maio – Praça da República, Viana do Castelo
25 de maio – Jardim da Corujeira, Campanhã
30 de maio – Rua da Arménia, Miragaia
15 de junho – Parque Oriental, Campanhã

“Há muito cinema que não chega efetivamente às pessoas pois existem mecanismos para todos verem as mesmas coisas. O mercado americano é muito forte e domina quase tudo, o europeu já começa a aparecer, mas não vemos, por exemplo, cinema indiano ou africano”, sublinha Sérgio.

Apesar de existir uma programação fixa, com histórias como a Betty Adormecida ou Carface, é possível fazer adaptações. “Consoante o local em que nos instalamos, tentamos escolher filmes com que os mais pequenos se identifiquem. Nas escolas pedem-nos temas como o bullying ou a deficiência. Fazemos uma programação que faça sentido em cada população.”

Dentro deste cinema especial, os adultos só entram acompanhados com uma criança e se ela quiser. Ao chegarem, os miúdos são recebidos por animadores que abordam os temas que serão explorados no grande ecrã. No final alguns batem palmas, outros fazem perguntas e até há quem confesse que viu aqui cinema pela primeira vez.

Entre escolas e espaços públicos como jardins, o objetivo é difundir a sétima arte junto dos mais novoa e ocupar territórios com pouca atividade. © Dinis Santos

O projeto enquadra-se em todos os cenários, fechados ou ao ar livre, desde que não tenham uma base comercial. “Já nos pediram para estarmos presentes em centros comerciais, casamentos ou festas de aniversário, mas não é esse o nosso propósito.” Entre escolas e espaços públicos, como praças ou jardins, o objetivo do Cinema Insuflável é difundir a arte, ocupar territórios com pouca atividade e dinamizar esses locais, cruzando todo o tipo de públicos.

No ano de estreia, esta sala de cinema itinerante para crianças viajou de junho a dezembro e passou pelo Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Lisboa e Viseu, em 31 sessões que chegaram a cerca de seis mil espectadores. Em 2019 os números prometem aumentar. Haja ar para encher o insuflável.

Artigo publicado originalmente na revista Observador Lifestyle nº 3 (março de 2019).

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