Portugal pode não ser conhecido por ter produzido grandes obras-primas de pet design, mas, no que depender destes três sócios, o caminho para lá chegar começa aqui, no desenho minimal de uma casa, chamada Berlim, e de uma cama a que deram o nome Cacau. Juntas dão forma à proposta da Manimal, uma marca (que também pode ser considerada um estúdio de design) de mobiliário focada no conforto de cães e gatos — ou deveremos dizer uma marca de acessórios para animais de estimação que não deixa de lado as preocupações estéticas? Talvez seja mais a segunda. Afinal, estamos a falar de arquitetos.

“De facto, temos a possibilidade de desenhar objetos que podem fazer parte da casa. Não têm de estar escondidos na cozinha ou na casa de banho por serem feios”, afirma Miguel Arruda, que em 2007 se debruçou sobre este tema, juntamente com Diogo Camilo, colega do curso de Arquitetura no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. E tudo por causa de Zeca, que não é o terceiro sócio, mas sim o hamster de estimação que mantinha numa gaiola criada para o efeito. A ideia ficou suspensa durante mais ou menos dez anos e os dois amigos fizeram muitas coisas entretanto. Miguel fez parte de um atelier de arquitetos e trabalhou em África. Diogo viveu em Itália e na Suíça, casou com Lorena Masó, fixou-se em Alicante e acabou por contagiar a mulher com a vontade de criar peças confortáveis para os membros da família com quatro patas.

Os modelos Berlim e Cacau existem em dois tamanhos e foram batizados em homenagem à dupla de labradores que os testaram pela primeira vez © Divulgação

O projeto hibernou, sempre com um ou outro esboço pelo meio e com o nome já debaixo de olho. Manimal é a aglutinação de três palavras estrangeiras — man, animal e minimal –, logo, recomenda-se a sua leitura em inglês. Em 2017, reuniram as duas ideias mais promissoras. Ao darem prioridade ao design das peças, quiseram trazer os animais para as zonas sociais da casa, ou seja, para mais perto dos seus donos. Para produzir os primeiros protótipos, montaram uma oficina improvisada na casa de um amigo. Desta vez, os arquitetos não construíram maquetes, fizeram uma cama de linhas direitas e uma estrutura composta por dois módulos que, juntos por ímanes, formam uma casa.

“Falámos com veterinários para perceber que formas e materiais resultam melhor. Descobrimos que há muitos cães alérgicos a espuma, por exemplo. Então, tivemos de encontrar uma especial”, explica Miguel. Tudo o resto foi pensado ao pormenor — o contraplacado de bétula tratado com óleo em vez de verniz e os estofos laváveis e compostos por poliéster e algodão (não é totalmente natural, mas torna o tecido mais resistente). Os três sócios correram o país em busca de quem produzisse os primeiros modelos da Manimal. Foi difícil, mas a resposta estava a norte. “Já tinha uma ideia de que este mercado mexia. Nota-se cada vez mais, a concorrência aumentou nos últimos três anos. Em Portugal não se vê muito, mas em países da Europa Central, na Ásia, nos Estados Unidos e na Austrália, sim. Acho que, ao terem menos filhos, as pessoas têm mais animais e o consumo de produtos para eles tende a ser superior”, justifica Miguel.

Os primeiros protótipos foram feitos aqui, numa oficina improvisada na casa de um amigo © Divulgação

Para já, a Manimal está focada no mercado português. Apostar em pontos de venda ligados ao design de interiores faz parte da estratégia de posicionamento da marca. Atualmente, as peças podem ser encontradas na Sal e na Boa Safra, ambas em Lisboa, e na loja online. “Estamos a criar peças para um nicho, para o cruzamento de pessoas que se preocupam com o design com pessoas que gostam de animais e estão dispostas a gastar com eles”, conclui. Neste caso, gastar pode assumir proporções muito diferentes. Os preços começam nos 15o euros, a cama mais pequena, e chegam aos 610 euros, a casa com 77 centímetros de altura. Quanto aos próximos passos, já estão calculados. Depois dos cães, a marca quer começar a criar peças para gatos. Depois de Portugal e Espanha, a ideia é rumar mercados como França, Suíça, Bélgica, Holanda, Alemanha e Áustria, onde vivem os verdadeiros big spenders, no fundo.

Nome: Manimal
Data: 2018
Pontos de venda: loja online e lojas Sal e Boa Safra, em Lisboa
Preços: de 150 a 610 euros

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