Rádio Observador

Áustria

Poucos austríacos sabem o que foi o Holocausto, diz estudo

422

Um estudo concluiu que existe, na Áustria, um elevado grau de desconhecimento sobre o Holocausto, o que faz aumentar as preocupações sobre o crescimento do partido de extrema-direita.

56% dos austríacos que foram questionados sobre a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) desconhecem que seis milhões de pessoas foram assassinadas no Holocausto

MARTON MONUS/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Na Áustria verifica-se um elevado desconhecimento sobre o genocídio nazi durante a Segunda Guerra Mundial assim como sobre o envolvimento de austríacos no holocausto, indica um estudo publicado esta quinta-feira.

A investigação, realizada por uma organização judaica e que vai ser discutida esta quinta-feira numa conferência sobre compensações aos judeus vítimas do regime nazi, indica que 56% dos austríacos que foram questionados sobre a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) desconhece que seis milhões de pessoas foram assassinadas no Holocausto e 36% acredita que o número de vítimas “não ultrapassou os dois milhões”.

Greg Schneider, organizador da conferência judaica sobre apresentação de provas contra a Alemanha, disse que as conclusões da nova investigação são semelhantes aos estudos realizados nos Estados Unidos e no Canadá, mas mostra-se surpreendido porque se trata de uma investigação realizada junto da população austríaca.

A tendência é semelhante, o que demonstra uma realidade perturbadora sobre a falta de conhecimentos sobre o Holocausto, mas o que é novo é que esta nova pesquisa foi realizada na região onde ocorreu o Holocausto”, disse Scheneider, da organização judaica com sede em Nova Iorque.

Um outro dado indica que 79% dos austríacos sabe que Adolf Hitler nasceu na Áustria, mas apenas 14% sabe que Adolf Eichmann, que desempenhou um papel central na Solução Final, era de ascendência germano austríaca.

Os resultados desta pesquisa fazem aumentar as preocupações relacionadas com o crescimento do partido de extrema-direita austríaca (Partido da Liberdade), parceiro da coligação governamental e que foi fundado no pós-guerra por antigos membros do Partido Nazi austríacos.

Os membros do partido da extrema-direita austríaca continuam a evocar o nazismo.

Na semana passada, o vice-presidente da câmara da cidade de Braunau am Inn, terra natal de Adolf Hitler, publicou um texto em que comparava os emigrantes a ratos, imitando a retórica que o antigo partido nacional-socialista utilizava contra os judeus.

Durante o passado fim de semana, o líder do Partido da Liberdade, Heinz-Christian Strache, que também ocupa o cargo de vice-chanceler da Áustria, disse que “é preciso lutar contra a deslocação da população nativa” (Bevoelkerungsaustausch), um termo que emana da antiga terminologia nazi.

Receamos que alguma coisa parecida com o Holocausto possa voltar a acontecer, por isso eu estou muito preocupado com o que se está a passar-se na Áustria”, disse Scheneider.

No mesmo inquérito, os austríacos foram questionados especificamente sobre o Partido da Liberdade, sendo que 43% dos inquiridos se mostram favoráveis às ideias defendidas pela formação de extrema-direita; seis por cento responderam que o partido é “patriota” e 42% por cento considera que os partidos nacionalistas são xenófobos.

Efraim Zuroff, atual presidente do Centro Simon Wiesenthal, em Jerusalém, organização que promoveu a captura de nazis desde 1945, disse que o ponto mais inquietante da pesquisa divulgada hoje é o desconhecimento sobre o envolvimento da Áustria no Holocausto.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Novo Acordo Ortográfico

Uma comunidade às avessas

José Augusto Filho

Da forma em que foi conduzido, o Acordo serve mais para enfraquecer a língua de Camões do que para disseminá-la. Quanto aos ganhos políticos e económicos esperados, foram até agora praticamente nulos.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)