Fazer prognósticos tendo por base o histórico de confrontos entre duas equipas já não é propriamente a coisa mais recomendada no futebol e menos ainda quando se trata de jogos numa determinada categoria da formação onde as gerações vão passando, os nomes vão mudando e o único ponto em comum é mesmo as seleções em causa. Ainda assim, e olhando também para o passado recente das partidas entre Portugal e Itália até noutros escalões (como a final do último Europeu Sub-19, por exemplo), havia boas memórias da Seleção quando encontrava pela frente a formação transalpina e era assim também nos Sub-17… menos nas fases finais de Europeus, onde os italianos tinham ganho duas vezes e empatado outras tantas entre 1986 e 1998.

A Itália venceu pela última vez Portugal em Sub-17 no Torneio das Quatro Nações de 2004, somando daí para cá quatro empates e seis derrotas incluindo uma goleada por 6-0 no derradeiro encontro, em 2015. No entanto, as realidades mudam e, desta vez, o conjunto transalpino chegava com um ligeiro favoritismo aos quartos-de-final do Europeu de 2019: depois de uma qualificação onde venceu os seis jogos das duas fases de apuramento com 22 golos marcados e apenas um sofrido, os comandados de Carmine Nunziata ganharam o grupo D da primeira metade da competição com triunfos frente a Alemanha, Áustria e Espanha, cruzando com uma equipa de Emílio Peixe em crescendo na prova: após a derrota com a Hungria (1-0), Portugal ganhou à Rússia (2-1) e carimbou a qualificação para a ronda seguinte a eliminar com uma vitória frente à Islândia (4-2).

“Temos crescido na competição. A equipa tem evoluído na sua organização, no rigor e na perceção da competição que estão a disputar. Não pode haver momentos de desconcentração nem de relaxamento. Os jogadores têm de ser proativos”, referiu no lançamento do jogo desta segunda-feira Emílio Peixe, selecionador dos Sub-17, em declarações ao site da FPF. “Precisamos fazer tudo bem, com muita serenidade e organização. Queremos fazer acontecer. Para isso, temos de nos superar, dentro de uma estabilidade emocional e de uma organização de jogo muito acima  daquilo que temos vindo a demonstrar. Tem sido muito bom mas não chega, pois o adversário é outro e vai criar-nos outro tipo de problemas. Acredito que os jogadores estão preparados e vão ter a chance de fazer acontecer”, acrescentou o técnico na antecâmara do jogo no Tolka Park, em Dublin.

A Itália acabou por entrar melhor, tendo mais remates e aproximações nos 15 minutos iniciais, mas Portugal reagiu e teve uma tentativa fora do alvo pelo avançado Fábio Silva, uma das quatro novidades no onze em relação à equipa que iniciou a partida com a Islândia além do lateral direito Tomás Esteves, do médio Paulo Bernardo e o do ala Pedro Brazão. Os transalpinos inauguraram mesmo o marcador aos 26′ com um golo do médio ofensivo da Juventus Franco Tongya, com assistência de Sebastiano Esposito, avançado do Inter que foi o primeiro jogador nascido em 2002 a jogar na Champions ou na Liga Europa. Já com Daniel Rodrigues em campo no lugar de Tiago Ribeiro (32′), a Seleção Nacional voltou a estar perto do golo em cima do intervalo, com o remate de Fábio Silva a ser travado pelo guarda-redes Molla (44′).

No segundo tempo, depois de algumas ameaças de Tongya e Esposito, Portugal arriscou mais, teve oportunidades para chegar ao empate mas Molla foi conseguindo travar as tentativas nacionais de Pedro Brazão, Tomás Araújo e Fábio Silva. Nos descontos, Ruggeri ainda viu o vermelho direto por falta sobre Famana Quizera mas o resultado não voltaria a mexer e foi a Itália que conseguiu assegurar a passagem às meias-finais da prova, defrontando agora a França (goleou a Rep. Checa por 6-1) por uma vaga na final. A outra meia-final será entre a Holanda (3-0 à Bélgica) e o vencedor do Hungria-Espanha.