Eleições Europeias

Cristas no tudo ou nada: “Peguem no telefone, levem a tia mais idosa a votar”

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Cristas luta contra a abstenção: "Se esquerda radical se mobiliza, porque não nos havemos de mobilizar?" Lobo Xavier elege últimos 7 anos como os melhores tempos do CDS. "Não me sinto angustiado".

HUGO DELGADO/LUSA

É o tudo por tudo até às urnas. Os partidos políticos já só têm mais um dia para fazer campanha, e para apelarem ao voto, já que no sábado é dia de reflexão. Daí que Assunção Cristas tenha usado um dos últimos jantares-comício da campanha para implorar por uma ida massiva às urnas. Para a líder do CDS, um ‘voto’ na abstenção prejudica a direita porque se traduz num voto na extrema-esquerda. Por isso, Cristas pede que a direita se mobilize, que saia de casa, e que ajude amigos e vizinhos a sair de casa. É o tudo ou nada. “Vai correr bem”, profetizou António Lobo Xavier, convidado de honra no jantar com cerca de 600 pessoas em Vila Nova de Gaia.

“O resultado de domingo depende da abstenção. E à esquerda, à esquerda radical, a abstenção tende a não ser um problema, porque eles mobilizam-se. Então porque é que nós não nos havemos de mobilizar? Nós que somos um partido democrático, da moderação”, começou por dizer Assunção Cristas, apelando depois aos cerca de 600 militantes e simpatizantes do CDS presentes no jantar organizado pela distrital do Porto que façam pelo CDS o que o CDS já não pode fazer a partir de sábado: convencer os eleitores, porta a porta.

O apelo é dramático e vem com manual de instruções: “Se já tiverem dois amigos a dizer que vão votar no CDS, então procurem mais dois. É preciso levá-los a votar”. Esse é o passo final, e é também o passo mais difícil, diz. “Eu sei que na rua as pessoas estão connosco, mas é preciso muito mais do que isso, é preciso dar o passo final e levá-los a votar. Até ao último minuto, nós não podemos fazer campanha, mas vocês podem. Peguem no telefone, telefonem à família, aos amigos, vizinhos do lado, ofereçam-se para levar as pessoas a votar, até aquela tia mais idosa, perguntem se precisam de ajuda para ir votar, expliquem-lhes as nossas ideias”, disse ainda, dando como exemplo Lisboa. “Já provámos que não há impossíveis, vamos provar de novo no domingo”, afirmou, já entre fortes aplausos da plateia.

Lobo Xavier não está angustiado. “Vai correr bem”

“Para o que der e vier, temos Lobo Xavier/Para o der e vier, temos Lobo Xavier!”. O speaker da campanha centrista não esconde o entusiasmo ao microfone, quando anuncia a chegada do mandatário da campanha e de um dos últimos barões do CDS. António Lobo Xavier, militante há 45 anos, não ia a uma campanha “há muitos anos” e não podia estar mais feliz e orgulhoso do partido que, mesmo depois de 45 anos de história, “em nenhum momento se desviou dos princípios fundadores e em nenhum momento desmereceu a sua história”.

Lobo Xavier está otimista. E não está “nada angustiado”. “Já houve alguns momentos em que me senti mais deslocado ou mais angustiado, mas hoje não me sinto nada angustiado”, disse, afirmando que se lhe fosse pedido para escolher os tempos do CDS de que mais se orgulha, Lobo Xavier não tem dúvidas: “Os tempos do princípio e os últimos sete anos”. Ou seja, os quatro anos do governo PSD/CDS, liderado por Paulo Portas e com Assunção Cristas e Mota Soares como ministros, e o tempo de Assunção Cristas como líder. No fim, profetizou: “O CDS não anda à procura de perder alma para ganhar votos. Vai correr bem”.

Contra a “bloquização do PS” e a “geringonsação da governização”, Nuno Melo voltou a acenar com o “bicho papão” da extrema-esquerda para apelar à mobilização de quem é de direita no próximo domingo. “Nós nunca governamos o país a ouvir outros hinos que não fossem o hino nacional”, disse, numa referência ao hino da CGTP que a ministra da Saúde admitiu ouvir, e pedindo por fim que, no domingo, “o 25 de novembro vença ao 11 de março”. Mantendo a meta na ideia de ter mais votos do que o PCP e o BE, Melo e Cristas mantêm a luta entre a esquerda e a direita. “O CDS pode ser a surpresa da noite”, disse Cristas. “Vai correr bem”, repetiu Nuno Melo.

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