O presidente da Comissão Executiva da TAP, Antonoaldo Neves, garantiu esta quarta-feira que existe “um ambiente de paz social muito grande” na empresa, apesar do pagamento de prémios no valor de 1,171 milhões de euros a 180 colaboradores.

“Temos hoje um ambiente de paz social muito grande”, disse Antonoaldo Neves, quando questionado pelos jornalistas sobre o clima na empresa após a notícia divulgada pela Lusa no início do mês sobre o pagamento de prémios efetuados em maio a alguns trabalhadores.

O presidente executivo da transportadora aérea, que falava na Euronext durante a apresentação dos resultados da emissão de obrigações da TAP, lembrou que, no ano passado, houve acordos com os sindicatos que resultaram em aumentos salariais “como nunca aconteceu na história recente em Portugal”.

“Tivemos aumentos que num prazo de cinco anos totalizaram 15% em algumas categorias”, afirmou, referindo ainda o investimento feito em planos de benefícios para os trabalhadores. “Não vejo nenhuma razão concreta para haver qualquer tipo de tensão social num ambiente em que a paz social está contratada com investimentos enormes e sem contar com todas as promoções”, reforçou Antonoaldo Neves.

O presidente da Comissão Executiva disse ainda que “a TAP está totalmente aberta a atribuir qualquer tipo de remuneração variável com qualquer trabalhador contra objetivos específicos de produtividade”.

“Não há nenhum programa de remuneração variável na TAP que não seja baseado em objetivos concretos de aumento de produtividade”, garantiu Antonoaldo Neves.

A TAP pagou prémios de 1,171 milhões de euros a 180 pessoas, incluindo dois de 110 mil euros atribuídos a dois quadros superiores, segundo um documento noticiado pela Lusa em 4 de junho. Em causa estão prémios que foram pagos com o salário de maio destes colaboradores e que oscilam entre os 110 mil e pouco mais de mil euros.

Dois dias depois, a Comissão Executiva da TAP justificou a atribuição dos prémios com o “programa de mérito” implementado pela companhia, que diz ter sido “fundamental” para os resultados atingidos em 2018.

O Governo, através do Ministério das Infraestruturas e da Habitação, considerou em comunicado que a atribuição de prémios “constitui uma quebra da relação de confiança entre a Comissão Executiva e o maior acionista da TAP, o Estado português”.

O Ministério afirmou que “discorda da política de atribuição de prémios, num ano de prejuízos, a um grupo restrito de trabalhadores e sem ter sido dado conhecimento prévio ao Conselho de Administração da TAP da atribuição dos prémios e dos critérios subjacentes a essa atribuição”.

A Comissão Executiva da TAP afirmou que respeitou “os deveres de informação ao Conselho de Administração” e que apenas atribuiu prémios referentes aos “resultados da área” e “resultados individuais”, sem atribuir prémios relativos aos resultados da empresa em 2018.

O grupo TAP registou, em 2018, um prejuízo de 118 milhões de euros, valor que compara com um lucro de 21,2 milhões de euros registado no ano anterior, anunciou a transportadora em março