Rádio Observador

Brasil

Bolsonaro admite prisão do jornalista que revelou caso Vaza Jato mas nega deportação

182

O Presidente do Brasil negou a intenção de deportar o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, coautor de reportagens que colocaram em causa a imparcialidade da Operação Lava Jato.

Joedson Alves/EPA

O Presidente do Brasil negou este domingo a intenção de deportar o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, coautor de reportagens que colocaram em causa a imparcialidade da Operação Lava Jato, mas admitiu que possa ser preso no país.

Greenwald, jornalista a quem o ex-analista norte-americano Edward Snowden revelou os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional norte-americana, é fundador e editor do portal de jornalismo de investigação The Intercept.

Recentemente, Greenwald e outros jornalistas têm vindo a revelar informações de um novo escândalo que ficou conhecido como “Vaza Jato”, que está a colocar em causa a imparcialidade da Lava Jato, a maior operação contra a corrupção já realizada no Brasil.

Durante uma entrevista dada este sábado aos jornalistas, no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro foi questionado sobre a possibilidade de Greenwald vir a ser deportado ao abrigo de uma portaria assinada pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, que permite a deportação sumária ou impedimento de ingresso de estrangeiros no Brasil, considerados “perigosos”.

“Malandro para evitar um problema desse tipo [deportação] casa-se com outro malandro ou adota uma criança no Brasil. Ele [Greenwald] não vai ser, pode estar tranquilo. Talvez seja preso aqui, mas não lá fora”, declarou o chefe de estado brasileiro, citado pela agência Efe.

Jair Bolsonaro aludia ao facto de Glenn Greenwald ser casado com o deputado federal David Miranda, com quem tem dois filhos adotivos.

Entretanto, estas declarações de Jair Bolsonaro já foram condenadas pela oposição e por associações de jornalistas, que as classificaram de “graves agressões à liberdade de expressão”.

Glenn Greenwald também já reagiu e afirmou que Bolsonaro “não tem poder para ordenar a prisão de ninguém”.

As reportagens do The Intercept sobre a Lava Jato começaram em 09 de junho e desde então têm mobilizado a opinião pública no Brasil.

Baseadas em informações obtidas de fonte anónima, estas reportagens apontam que o ex-juiz e atual ministro da Justiça do país, Sérgio Moro, terá orientado os procuradores da Lava Jato, indicado linhas de investigação, cobrado manifestações públicas e adiantado decisões enquanto era juiz responsável por analisar os processos do caso em primeira instância.

Se confirmadas, as denúncias indicam uma atuação ilegal do antigo magistrado e dos procuradores brasileiros porque, segundo a legislação do país, os juízes devem manter a isenção e, portanto, estão proibidos de auxiliar as partes envolvidas nos processos.

Moro e os procuradores da Lava Jato, por seu turno, negam terem cometido irregularidades e fazem críticas às reportagens do The Intercept e seus parceiros (Folha de S. Paulo, revista Veja, El País e o jornalista Reinaldo Azevedo), afirmando que são sensacionalistas e usam conversas que podem ter sido adulteradas e foram obtidas através de crime cibernético.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Eleições Legislativas

Afluir de Rio em Costa instável

Gonçalo Sobral Martins

O líder do PSD fez ver que Portugal não soube aproveitar uma conjuntura externa extraordinária: apesar dos juros do BCE e do crescimento económico da zona-euro, nada melhorou substancialmente.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)