PSD/Porto ataca silêncio de Rio durante a greve. "Inaceitável" e "incompetente arrogância" continuar de férias

O líder da concelhia do PSD no Porto, uma das maiores do país e onde Rio é filiado, considera "inaceitável" o silêncio de Rio durante a greve e o facto de continuar de férias como se nada se passasse.

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JOSÉ COELHO/EPA

JOSÉ COELHO/EPA

O PSD está a perder a paciência com Rui Rio. O presidente do PSD/Porto, a concelhia onde Rui Rio está inscrito como militante, criticou esta quarta-feira a situação “inacreditável” que é o “presidente do PSD e o seu núcleo duro” terem decidido “tirar férias, a meio de uma crise que (…) preocupa os portugueses”. Na sua página do Facebook, Hugo Neto afirmou mesmo que “a ausência total de PSD, durante duas longas semanas num período político crítico é inaceitável” e que traz um “odor demasiado forte a uma incompetente arrogância”. Duro nas palavras, o líder de uma das maiores concelhias do partido avisa que “o PSD é mais do que isto. O PSD não é isto!

O presidente do PSD/Porto diz que, depois da secção do Porto ter abandonado as listas de candidatos a deputados, tinha decidido só falar em outubro. Mas não aguentou o facto de Rio passar ao lado da greve. E, por arrasto, aproveitar para dizer tudo o que de mal foi feito no processo de elaboração das listas de deputados. “Em conversas pessoais e telefónicas, fiz questão de transmitir ao Presidente do PSD o quão grave e errado sinal seria deixar de parte um dos melhores do PSD, como Miguel Pinto Luz, uma incompreensível injustiça vetar ou, de forma mais covarde e menos assumida, relegar para a ineligibilidade Maria Luís Albuquerque ou esquecer o contributo de trabalho de Emídio Guerreiro”, confessou Hugo Neto.

Para o líder do PSD/Porto, Rio “conseguiu cometer cumulativamente todos estes erros e falhas graves na construção das listas nacionais”, mas “o pior” foi mesmo no distrito do Porto, onde o presidente “impôs, nada mais, nada menos, que 7 nomes, escolhas suas, na lista de deputados do Porto”. Na análise de Hugo Neto, “salvo raras e honrosas exceções, como a de Álvaro Almeida, as escolhas feitas não asseguram reforço de competências técnicas ao grupo parlamentar. Também não representam as bases do partido, não garantem equilíbrio territorial e não cruzam verdadeiramente o partido com o melhor da nossa sociedade.”

O presidente da concelhia de Rui Rio diz que o presidente “não podia ter desiludido mais”, e numa “personificação máxima do Princípio de Peter, Rui Rio, um bom autarca, com quem trabalhei na Câmara do Porto, rodeou-se de gente sem qualidade e tornou-se num presidente do PSD sem rumo nem estratégia.” Apesar disso, a secção continua a apelar ao voto no PSD em outubro.

“PSD não está a cumprir serviços mínimos”

Também esta quarta-feira, num artigo de opinião do jornal i, o presidente da câmara de Cascais e antigo vice-presidente do PSD de Passos Coelho, Carlos Carreiras, ataca a inoperância de Rio, dizendo que o atual PSD “está há muito em greve de combate político”. O autarca acrescenta que o PSD “claramente, não está a cumprir os serviços mínimos” e deixa um aviso: “Temo que a situação já só se componha com uma requisição civil convocada pelos militantes”.

A intervenção de Rui Rio sobre esta greve resume-se a dois tweets. O primeiro deles teve lugar dois dias antes da greve começar, com o o presidente do PSD a dizre que “se o objetivo fosse tentar resolver o problema, o Governo era mais isento e discreto” e “não dramatizava, nem encenava um circo como o que montou antes das europeias”. Rio deixava ainda uma sugestão “mais sensata”: “Adiar a greve para pós-eleições e, até lá, tentar um acordo”.

Houve depois um segundo tweet a atacar utilizadores do Twitter que não identificou, ams acusou com ironia de desconhecerem a lei da greve. No mesmo registo irónico concluiu: “Aprende-se tanto aqui no Twitter. É quase uma universidade”.

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