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Líder indígena terá morrido de afogamento e não à facada, diz perícia da Polícia Técnica brasileira

A polícia brasileira exumou o corpo do líder indígena brasileiro de 69 anos, que vivia numa reserva florestal. “Não encontrou lesões de origem traumática que pudessem ter ocasionado o óbito”.

No fim de julho, a Polícia Federal não encontrou sinais de invasão de mineiros de ouro à reserva florestal, o que levou os índios a fazerem expedições por conta própria

AFP/Getty Images

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Não foram detetados sinais de violência na autópsia feita ao corpo do líder indígena brasileiro Emyra Waijãpi, de 63 anos, que morreu em julho um pouco antes de uma suposta invasão às terras indígenas numa reserva ambiental da área amazónica brasileira no estado do Amapá.

A exumação do corpo do líder indígena e a autópsia foram feitas pela Polícia Técnica do Estado do Amapá (POLITEC/AP) e resultaram num relatório que apontou no sentido da não existência de sinais de violência no corpo, além de concluir que a possível causa de morte foi afogamento, disse a Polícia Federal aos órgãos de comunicação brasileiros.

No relatório, ao qual os jornais tiveram acesso, é possível ler que as autoridades “não encontraram lesões de origem traumática que pudessem ter ocasionado o óbito”, e que a morte aconteceu entre os dias 21 e 23 de julho.

As autoridades descartaram ainda a possibilidade de confronto, a utilização de armas brancas na região do tórax ou fraturas na região do pescoço, que poderiam apontar para enforcamento, contradizendo as declarações dos indígenas da aldeia em questão, que declaravam a existência de diversas perfurações no torso do líder. As suspeitas iniciais apontavam para a possibilidade de um assassínio à facada.

“Apesar de as informações iniciais darem conta de invasão de garimpeiros na terra indígena e sugerirem possível confronto com os índios, que teria ocasionado a morte da liderança indígena, o relatório necroscópico não apontou tais circunstâncias” afirmou a Polícia Federal brasileira aos jornais.

A lesão existente na cabeça do líder era uma “lesão superficial, que não atingiu planos profundos. Não houve fraturas (…) e o exame não evidenciou a existência de lesões penetrantes”, finalizou a força.

No início de julho, diversos órgãos de comunicação nacionais e internacionais noticiaram a suposta invasão de garimpeiros – mineiros de ouro – às terras indígenas da aldeia Waijãpi, localizada a oeste do estado do Amapá, a norte do território brasileiro. Neste contexto, diversos índios tiveram de fugir de suas habitações e realocarem-se para cidades vizinhas.

No fim de julho, a PF não encontrou sinais de invasão à reserva florestal, o que levou os índios a fazerem expedições por conta própria.

O relatório é publicado num momento em que existe grande polémica acerca da legalização da exploração de mineiros em terras indígenas. Em julho, o Presidente da República Jair Bolsonaro demonstrou dúvidas sobre as causas da morte do líder waijãpi, e disse aos jornais que “não tem nenhum indício forte que esse índio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades, a PF está lá, quem nós pudermos mandar, nós já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso aí”.

Ainda é esperado o resultado do exame toxicológico complementar, que será revelado dentro dos próximos 30 dias.

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