Quando as coisas correm muito bem a um jogador ou a um treinador, as palavras “histórico”, “único” e “épico” são normalmente utilizadas com relativa liberdade. Os feitos rapidamente são históricos, as vitórias rapidamente são únicas e as campanhas rapidamente são épicas: mesmo que na semana seguinte ou daí a um mês ou quando as coisas correrem mal também as derrotas, os desaires e erros passem rapidamente a ser históricos, únicos e épicos. Bruno Lage, desde que chegou ao Benfica para substituir Rui Vitória, tem somado recordes e marcos positivos — que nunca fogem aos três adjetivos da moda. No caso especial do treinador encarnado, porém, as três palavras parecem mesmo as mais adequadas. A cada jogo que passa, Lage regista mais um número histórico, mais um feito único e mais um apontamento épico.

E este sábado, em que o Benfica foi ao Jamor vencer o Belenenses SAD — a única equipa que o treinador ainda não tinha vencido na Primeira Liga –, não foi exceção. Com os golos marcados por Rafa e Pizzi e a baliza de Vlachodimos a ficar novamente inviolada, os encarnados somaram o terceiro jogo oficial consecutivo desta temporada sem sofrer qualquer golo, num registo que até aqui só tinha acontecido oito vezes e já não acontecia desde 2014/15: e que só aconteceu duas vezes nos últimos 29 anos. A diferença de golos que o Benfica leva nesta altura (12-0) é mesmo a segunda maior da história, só superada pelos 16-0 de 1913/14, e tem paralelo desde há mais de 40 anos.

Na flash interview, já depois de lembrar que a relva do Jamor “dificulta muito”, Bruno Lage defendeu que o Belenenses SAD tem “uma excelente equipa” e “só um grande Benfica podia parar este Belenenses SAD”. “Fizemos uma primeira parte de grande qualidade, de forte pressão. Fomos inteligentes com bola para criar oportunidades de golo. Na segunda parte também entrámos bem e com naturalidade chegámos ao golo”, explicou o treinador encarnado, que ainda recusou olhar apenas para a dupla Pizzi/Rafa, responsável pelos dois golos da equipa. “Não é olhar apenas para dois jogadores, apesar de ambos estarem em bons momentos. Foi um jogo muito interessante”, concluiu Lage. Ainda assim, é quase impossível não olhar para os números de Pizzi no arranque de temporada: além de liderar o ranking de golos (três) e de assistências (duas), o internacional português leva mesmo o melhor início de época da carreira.

Sobre o clássico da próxima jornada, com o FC Porto, o treinador encarnado garantiu que “não é decisivo” e que o Campeonato é “um longo caminho”. Ao vencer o Belenenses SAD, Bruno Lage ganhou então a todas as equipas que defrontou na Primeira Liga e pode tornar esse percurso totalmente vitorioso se bater os recém-promovidos Gil Vicente e Famalicão. Caso aconteça, o comentário a fazer é simples: histórico, único, épico. E o melhor é que, no caso do treinador do Benfica, os adjetivos assentam que nem uma luva.