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Partidos e Movimentos

Da praia portuguesa que afinal era na URSS ao incêndio na Amazónia: as imagens falsas nas publicações dos partidos

1.988

Aliança usou fotografia da União Soviética dizendo que eram "portugueses na praia em 1970". Bloco falou dos incêndios na Amazónia com imagem de 2013 no Rio Grande. Os erros dos partidos nos posts.

A imagem da esquerda foi tirada em 1967 na União Soviética. A da direita foi tirada em março de 2013 no Rio Grande do Sul, no Brasil

“Portugueses na praia em 1970. Ninguém obeso! Hoje mais de 60% da população tem excesso de peso. Pela tua saúde, vota Aliança”. A mensagem publicada esta quarta-feira pelo Partido Aliança na sua conta do Twitter surgia acompanhada de uma imagem com várias pessoas em biquíni a caminhar junto a uma praia. Uma praia, dizia o partido, com portugueses. A publicação servia para abordar o problema atual do excesso de peso em Portugal, comparando-a com um aparente cenário no território português em 1970. Problema: a fotografia publicada não foi tirada nas praias de Portugal, mas sim na União Soviética.

Depois de ser alertado para a situação, o partido apagou a publicação da sua conta, mas alguns utilizadores não deixaram o erro passar em branco e mostraram de onde veio verdadeiramente aquela imagem. Trata-se de uma fotografia que integra um conjunto de imagens captadas por um fotógrafo da revista LIFE, Bill Eppridge, durante uma visita à União Soviética em 1967.

Uma destas imagens foi até capa da revista, a 10 de novembro de 1967, e menciona precisamente “a mudança e a surpresa na União Soviética”. As fotos mostram vários jovens da URSS nos anos 60.

À esquerda, a imagem publicada pelo partido Aliança que integra um conjunto de fotografias para a revista LIFE e que fizeram capa de uma das suas edições, apresentada à direita

“A internet não esquece”, respondeu um utilizador do Twitter ao partido liderado por Pedro Santana Lopes, acompanhando a fotografia com um print screen de um dos sites onde a imagem surge como sendo na União Soviética. O Aliança respondeu, classificou o erro da publicação como “gravíssimo”, mas garantiu que o objetivo daquela mensagem se mantém, mesmo tendo utilizado a fotografia errada para a ilustrar.

“A ALIANÇA não apagou para esconder. Assumiu o ‘gravíssimo’ erro de se ter julgado que era uma praia portuguesa. O objetivo mantém-se: Saúde preventiva, alimentação cuidada”, escreveu o partido na sua conta, atirando ainda: “Obrigado pela atenção à ALIANÇA. Nunca pensámos que fosse tão fácil pô-los a ajudar as nossas interações”.

Mas o Aliança não foi o único partido que nos últimos dias ilustrou as suas mensagens com fotografias que não correspondem à realidade que mencionam. O Bloco de Esquerda, também esta quarta-feira, publicou no Esquerda.Net uma fotografia de um incêndio para criticar a política do Presidente brasileiro. E escreveu: “A Amazónia está a arder. É um problema mundial e é uma consequência direta da política de Bolsonaro. Depois de cortar radicalmente o financiamento da prevenção de incêndios, de ignorar os avanços criminosos da máfia que todos os dias desbasta a maior floresta do mundo. Hoje é o 17º dia em que a Amazónia arde. É urgente falar disto. É urgente partilhar isto. Ninguém pode sair impune”.

Aqui o problema está também na data da fotografia: a imagem foi captada por um fotógrafo da agência France-Presse, Lauro Alves, durante um incêndio na Estação Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul, a 27 de março de 2013, como se pode ver numa fotogaleria publicada na NBC News em 2013, intitulada de “O fim de semana em imagens”. Além dos partidos, também algumas celebridades caíram no erro de utilizar fotografias erradas para se referirem aos incêndios na Amazónia, como foi o caso de Cristiano Ronaldo e Jaden Smith.

A fotogaleria que a NBC News fez em março de 2013

Depois de ser alertado para o erro, o Bloco de Esquerda editou a publicação e publicou um comentário no mesmo espaço a dar conta do sucedido. “Fomos alertados para o facto de termos usado uma fotografia que não corresponde aos incêndios atuais da Amazónia”, começa por escrever o partido, destacando, de seguida, que os bloquistas foram “induzidos em erro por vários órgãos de comunicação social que a utilizaram”. 

O Bloco de Esquerda pediu desculpa pelo erro, mas defende que a publicação continua a servir o propósito inicial: destacar “a importância da catástrofe com impactos globais e a necessidade de a denunciar”.

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