Há apenas um fabricante tradicional de automóveis, que por mero acaso (ou talvez não) é o que mais vendeu no mundo nos últimos anos, ou seja, o Grupo Volkswagen, que está a investir de forma mais séria e decidida nos veículos eléctricos. Todos os restantes construtores, europeus, americanos, japoneses e coreanos estão a entrar a medo e com alguma razão, pois o futuro está longe de ser claro ou garantido para este tipo de veículos.

O Grupo Volkswagen, à semelhança da Tesla, concebeu plataformas específicas para carros eléctricos, adaptou várias fábricas para a produção exclusiva de veículos a bateria e, mais recentemente, até decidiu seguir as pegadas da Tesla – e foi dos poucos a fazê-lo, juntamente com a Toyota –, entrando na produção de células das baterias. Daí que esteja por dentro da complexidade de conceber e produzir baterias e veículos para suportar a mobilidade eléctrica em que aposta.

Segundo a Manager Magazin (MM), caso dependesse do CEO do Grupo Volkswagen, Herbert Diess, subentendendo-se a sua administração, a “Volkswagen tentaria adquirir a Tesla ou uma fatia importante”. Em declarações à Reuters, o conglomerado germânico nega, alegando que a “especulação sobre a compra de uma parte da Tesla, realizada pela Manager Magazin não tem fundamento.” Note-se que não foi afirmado que era mentira, nem que a revista inventou e muito menos que Herbert Diess desmente. E, curiosamente, apenas foi contestado a aquisição de uma parte e não do todo, a outra possibilidade levantada pela MM.

De acordo com a Automotive News Europe, a MM recolheu declarações de quadros da empresa, que confirmaram que Diess defende que a Volkswagen teria muito a ganhar caso pudesse beneficiar dos conhecimentos da Tesla em baterias e software. Contudo, se a administração defende a aquisição, o problema, sempre segundo a MM, é a oposição que as famílias Porsche e Piech (que são quem controla o grupo alemão) fazem ao negócio.

Um banqueiro próximo de Diess revelou que o CEO “adoraria que a equipa que desenvolve o software para a Tesla trabalhasse para o grupo, mas é praticamente injustificável pagar 30 mil milhões de dólares para adquirir toda a empresa americana”.