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Mudou de nome, mudou de posição, não mudou o importante. Corona, o troca-tintas que é a imagem de uma equipa (a crónica do Rio Ave-FC Porto)

Este artigo tem mais de 1 ano

Jesús Corona mudou de nome, mudou de posição no campo mas não mudou o essencial. O FC Porto mudou de jogadores, mudou de objetivo mas não mudou a eficácia. A crónica do Rio Ave-FC Porto.

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O jogador mexicano foi o melhor dos dragões na primeira parte

EPA

O jogador mexicano foi o melhor dos dragões na primeira parte

EPA

Existe a ideia recorrente de que o mês de setembro é quase um novo janeiro, ou seja, um novo início depois das férias, depois do verão e depois de mais de metade de um ano civil. No futebol, a ideia é contrária: janeiro é o novo setembro, já que é no mês que chega o outono que as equipas arrancam de forma global a nova temporada e desenham os objetivos para os meses seguintes. Ainda assim, existe uma semelhança entre o janeiro de um ano civil e o setembro de uma temporada de futebol. No final de um e no final do outro, é tempo de fazer uma espécie de retrospetiva e realizar um balanço daquilo que foram as primeiras semanas do novo ciclo.

No caso do FC Porto, se puxarmos a cassete um mês atrás, setembro foi um mês de solidificação para a equipa de Sérgio Conceição. Depois de um início de época muito difícil, com uma derrota na primeira jornada da Liga e a eliminação da Liga dos Campeões, os dragões foram à Luz ganhar e empreenderam um período de retoma que já leva cinco vitórias consecutivas no Campeonato e oito a nível global. O último compromisso antes da paragem de quase um mês nas partidas da Primeira Liga implicava uma visita a um Rio Ave que já ganhou duas vezes ao Sporting esta temporada e que é, sob a batuta de Carlos Carvalhal, um dos candidatos a terminar o ano em lugares de acesso às competições europeias.

Ficha de jogo

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Rio Ave-FC Porto, 0-1

7.ª jornada da Primeira Liga

Estádio dos Arcos, em Vila do Conde

Árbitro: Nuno Almeida (AF Algarve)

Rio Ave: Kieszek, Nélson Monte (Jambor, 45′), Borevkovic, Aderllan Santos, Mattheus Reis, Tarantini, Felipe Augusto, Carlos Mané, Diego Lopes (Taremi, 45′), Nuno Santos, Bruno Moreira (Ronan, 79′)

Suplentes não utilizados: Paulo Vítor, Messias, Pedro Amaral, Lucas Piazón

Treinador: Carlos Carvalhal

FC Porto: Marchesín, Corona (Manafá, 60′), Pepe, Marcano, Alex Telles, Otávio, Uribe, Danilo, Nakajima (Mbemba, 76′), Zé Luís (Luis Díaz, 82′), Marega

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Bruno Costa, Fábio Silva, Soares

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Marega (12′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Felipe Augusto (22′), Corona (27′), Zé Luís (30′), Nuno Santos (53′), Mattheus Reis (61′), Pepe (90′)

Após um jogo da Taça da Liga em que Sérgio Conceição ofereceu a titularidade a Fábio Silva e fez várias alterações para poupar os habituais eleitos, o onze inicial do FC Porto voltava ao formato normal à exceção de Nakajima, que se estreava a titular na Liga e atirava Luis Díaz para o banco de suplentes. Marega e Zé Luís reeditavam a dupla atacante, com Soares a ficar de fora, Danilo e Uribe eram os pêndulos do meio-campo e Otávio é agora a opção preponderante para a direita do setor intermédio, já que Romário Baró se lesionou contra o Santa Clara a meio da semana e era a principal ausência nos dragões.

Já com a notícia de que o Benfica venceu o V. Setúbal este sábado e o Famalicão bateu o Belenenses SAD, o FC Porto sabia que não era possível admitir qualquer resultado que não a vitória para continuara perseguir de perto os dois da frente. Ainda assim, Sérgio Conceição tinha na memória, com toda a certeza, o empate da temporada passada no Estádio dos Arcos que acabou por ser fulcral nas contas finais do Campeonato. Talvez por isso — e a pensar nisso –, o FC Porto entrou na partida com vontade de ter a bola e de mostrar cedo que o objetivo era sair de Vila do Conde com a vitória. Nos primeiros 15 minutos da partida, os dragões tiveram 72% de posse de bola, 90% de eficácia de passe, três remates (dois foram enquadrados) e marcaram um golo, para além de uma oportunidade clamorosa que Marega desperdiçou na cara de Kieszek logo nos instantes iniciais (2′).

Tudo isto, e ainda que o golo tenha surgido através de uma bola parada, foi fruto do envolvimento de Nakajima em linhas interiores e das movimentações de Otávio, que tem com Corona uma parceria de luxo que catapulta o mexicano adaptado a lateral para funções ofensivas. Do outro lado, com Nakajima, a história era parecida: Alex Telles fazia todo o corredor esquerdo, era quase exímio a defender e muito forte a atacar, causando inúmeros problemas não só a Nélson Monte e a Tarantini, que o enfrentavam de forma direta, como também ao central Borevkovic, que ficava muitas vezes dividido entre cobrir o japonês ou impedir a progressão do lateral brasileiro.

Contudo, e mesmo com uma notória superioridade, o FC Porto estava a ter algumas dificuldades para sair a jogar de forma apoiada, já que o Rio Ave estava a defender tal como Carlos Carvalhal tinha prometido: como uma equipa grande. Os vilacondenses entraram na partida com as linhas subidas, a pressionar Pepe e Marcano assim que os dois centrais recebiam a bola de Marchesín, e obrigavam Danilo a descer vários metros no relvado para ir procurar jogo. Assim sendo, o FC Porto acabou por conseguir inaugurar o marcador na sequência de um pontapé de canto batido por Alex Telles, onde Marega foi mais forte do que Aderllan e apareceu ao primeiro poste a desviar para a baliza do Rio Ave (12′).

A partir do golo, o FC Porto recuou alguns metros no terreno e permitiu que os vilacondenses subissem e procurassem jogar mais tempo no meio-campo adversário. Contudo, foi exatamente essa posse de bola que faltou ao Rio Ave durante toda a primeira parte, já que a equipa de Carlos Carvalhal não conseguiu aproveitar o amolecimento dos dragões na partida para assumir a iniciativa. À exceção de um remate de Tarantini à malha lateral depois de um cruzamento largo de Mattheus Reis (35′), o Rio Ave nunca ficou perto de empatar e esteve sempre mais próximo de sofrer o segundo golo, tanto por intermédio de Uribe como de Marcano, que tiveram boas ocasiões para aumentar a vantagem. Na ida para o intervalo, a equipa de Carlos Carvalhal precisava de mostrar que estava pronta para discutir o resultado e a de Sérgio Conceição tinha de acautelar que não iria adormecer no encontro e permitir surpresas.

Na segunda parte, Carlos Carvalhal tirou Nélson Monte e Diego Lopes e lançou Jambor e Taremi, numa tentativa de controlar o meio-campo e acrescentar poder de fogo no ataque. O FC Porto começou o segundo tempo a procurar gerir a vantagem mais do que a tentar acrescentá-la e só criou perigo já depois de registados mais de dez minutos após o intervalo — e novamente de bola parada –, com um livre direto de Alex Telles que esbarrou na trave (55′). Sérgio Conceição sofreu um revés com as dificuldades físicas de Jesús Corona, que acabou por ter de ser substituído por Wilson Manafá, já que o jogador mexicano era na altura em que saiu o elemento com mais dribles concluídos, com mais ações com bola, tinha 97% de eficácia de passe de forma global e 100% no meio-campo adversário.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Rio Ave-FC Porto:]

O FC Porto caiu em rendimento e em velocidade a partir da saída de Corona e não conseguiu recuperar o controlo e o domínio que tinha imposto na primeira parte. Do outro lado, o Rio Ave ia aproveitando esse recuar das linhas dos dragões — associado também a um menor envolvimento de Otávio e Nakajima no processo ofensivo da equipa — para tentar surpreender ao lançar os homens da frente em profundidade, normalmente com passes longos a partir da defesa ou da zona mais atrasada do meio-campo. Foi assim que Mehdi Taremi acabou por bater Marchesín, com um grande passe de Bruno Moreira que deixou o avançado isolado nas costas de Pepe e Marcano, mas o lance foi anulado por fora de jogo (68′).

A partida entrou um período de substituições — Sérgio Conceição tirou Nakajima e Zé Luís e lançou Mbemba e Luis Díaz, Carvalhal colocou Ronan no lugar de Bruno Moreira — e de alguma indefinição, em que o Rio Ave ia deixando avisos a Marchesín e o FC Porto não tinha a vantagem assegurada mas a equipa da casa só conseguia chegar perto da baliza adversária através de lances rápidos de transição. Os dragões passaram mesmo os últimos instantes do jogo a sofrer, fechados na própria grande área, sem força para manter a posse de bola ou aliviar a pressão e totalmente focados em manter a vantagem: acabaram por conseguir, já que o Rio Ave não foi capaz de criar oportunidades dignas desse nome e limitou-se a bombear bolas para junto de Marchesín.

O FC Porto apagou o fantasma do empate do ano passado no Estádio dos Arcos, chegou à quinta vitória consecutiva na Liga e à oitava a nível global e voltou a colar-se ao Benfica no segundo lugar da classificação. Jesús Corona, que saiu na primeira metade da segunda parte mas foi o melhor dos dragões até ao intervalo, é a imagem da equipa de Sérgio Conceição: mudou de nome, preferindo agora ser tratado por Tecatito do que por Corona, mudou de posição, já que tem sido adaptado a lateral direito, mas manteve o rendimento acima da média. O FC Porto mudou de jogadores, perdendo os elementos das posições nevrálgicas no verão, mudou de objetivos, depois de ser eliminado da Liga dos Campeões e cair para a Liga Europa, mas manteve o foco, as vitórias e a eficácia.

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