Os balanços de época, de temporada ou de período são normalmente feitos de forma semestral, com vista a analisar uma amostra relevante de jogos e competições, vitórias e derrotas, pontos altos e pontos baixos. Mas isto acontece em circunstâncias normais. No caso do Sporting, no cenário que o Sporting vive, no panorama atual do Sporting, o balanço tem de ser feito semana a semana. O balanço tem de ser feito todos os domingos, em retrospetiva, a recordar o que aconteceu desde a segunda-feira anterior para entender se a semana correu bem ou não. Até porque na semana seguinte, aconteça o que acontecer, tudo pode mudar.

Silas chegou, ganhou duas vezes seguidas para duas competições diferentes, tentou aproveitar duas semanas de pausa para as seleções para trabalhar e criar modelos e aterrou na terceira eliminatória da Taça de Portugal à procura da terceira vitória consecutiva. Perdeu com estrondo em Alverca, contra uma equipa do Campeonato de Portugal, foi eliminado da segunda competição interna e ficou com poucos ou nenhuns objetivos em outubro, numa fase ainda muito embrionária da temporada. Mais do que isso, o treinador leonino surge como protagonista de um conjunto de recordes negativos que tornam esta derrota em Alverca um marco importante na página negra da história do clube.

À cabeça, esta foi apenas a segunda vez que o Sporting foi eliminado por uma equipa do terceiro escalão ou inferior: a primeira e única até aqui tinha sido em 1948/49, há 70 anos, com o Tirsense. Depois, há 16 anos que os leões não caíam na Taça de Portugal com um adversário de escalões secundários, tendo sido esta apenas a quinta vez que aconteceu. No balanço global desde o início da temporada, entre Marcel Keizer e Silas, o Sporting perdeu metade dos jogos que disputou, já foi derrotado nas cinco competições em que esteve integrado e já falhou dois títulos (Supertaça e Taça). Desde 2012/13 — a temporada em que o clube de Alvalade ficou em sétimo lugar na Liga, a pior classificação de sempre — que os leões não eram eliminados no primeiro jogo na Taça e desde 2009/10 que não perdiam por dois golos de diferença nesta competição (sendo que, nessa altura, a derrota foi com o FC Porto). Pelo meio, o Alverca fez história, mantém-se invicto esta temporada e passou a ter vantagem nas receções ao Sporting, com quatro vitórias, três derrotas e um empate em oito encontros.

A substituir Silas na flash interview, o adjunto Emanuel Ferro explicou que “a justiça do resultado resulta de dois golos marcados” e que “a gestão foi feita em função da presença nas seleções. Minutos depois, o treinador principal dos leões surgiu perante os jornalistas para comentar a derrota, justificar o facto de ter poupado sete titulares quando ainda nem sequer montou um modelo de jogo e explicar o que vai ser o futuro da equipa. “Não foi só eficácia, mas foi importante. Fizemos o dobro dos remates, era a nossa obrigação porque defrontámos uma equipa duas categorias abaixo da nossa. Fizemos 22 remates e nenhum golo, não é muito normal. A outra parte tem que ver com o facto de alguns jogadores não terem estado connosco durante a semana e não terem trabalhado o que nós trabalhámos”, disse o antigo técnico do Belenenses SAD.

“Na segunda parte jogámos pior, houve posicionamentos que não foram cumpridos. Os jogadores estiveram nas seleções, é normal que não o tenham feito e permitimos transições ao Alverca. Não precisamos de heróis, construir uma equipa demora”, acrescentou Silas, naquilo que pareceu um recado às críticas que apontavam ao facto de ter deixado Bruno Fernandes no banco de suplentes, algo que Keizer nunca fez. O treinador concluiu ainda que esta equipa técnica está em Alvalade “há duas semanas” e quer “resolver os problemas como equipa de não com individualidades”. “É uma das nossas batalhas. Vamos conseguir implementar isso, tenho a certeza absoluta. Vai custar, temos de trabalhar, mas vamos conseguir”, terminou Silas.