Trinta e três anos depois da última passagem pela Terra, o cometa Halley continua a acenar-nos. Esta noite, voltamos a ter um vislumbre daquele que é o único cometa que vai ser visto duas vezes pela mesma geração. Às 20h00, se a meteorologia ajudar, fique de olho na constelação de Órion. É de lá que vai surgir uma chuva de estrelas chamada Oriónidas, que vai surgir no céu noturno a um ritmo de 20 meteoros por hora.

As Oriónidas são partículas deixadas para trás pelo cometa Halley ao longo do percurso à órbita do Sol. Quando essas partículas, algumas das quais tão pequenas quanto grãos de areia, se cruzam com a Terra, elas entram pela atmosfera do nosso planeta e tornam-se incandescentes por causa da fricção. Isso acontece duas vezes por ano, quando o Halley e a Terra mais se aproximam neste bailado à volta do Sol: uma em maio, que cria as Eta Aquáridas; e outra em outubro, que cria as Oriónidas.

Esta chuva de estrelas já pode ser vista desde 02 de outubro e continuará até 07 de novembro, indica o Observatório Astronómico de Lisboa. No entanto, o pico de atividade de fenómeno será esta noite, quando o relógio chegar às 20h, hora de Portugal Continental. Só duas coisas podem atrapalhar este espetáculo astronómico: as nuvens — que, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, podem tapar o céu durante a noite — e a Lua. É que, apesar de estar em quarto minguante, ainda está iluminada a 40% e pode ofuscar os meteoros.

Se ainda assim quiser experimentar a sorte, o melhor é afastar-se da cidade e procurar lugares menos iluminados para a noite de observação celeste. Agasalhe-se bem — as mínimas estão entre os 4ºC e os 11ºC em Portugal Continental, 15ºC a 18ºC nos Açores e 17ºC na Madeira — e leve alimentos quentes, nomeadamente chás para se manter hidratado. Depois, aproveite para procurar Betelgeuse, a segunda estrela mais brilhante de Órion e uma das maiores conhecidas pelos astrónomos.

Halley há de voltar a passar por cá. Está previsto que o cometa volte a aproxinar-se da Terra, onde será visto em todo o planeta, no início de agosto de 2061. Faltam 42 anos, mas aponte já na agenda porque o Halley é especial: foi o primeiro cometa que os cientistas observaram através de veículos espaciais. Na altura em que voltar, talvez já a humanidade tenha pisado Marte.