O YouTube anunciou esta quarta-feira uma série de alterações às políticas que visam combater o assédio que existe na plataforma. Com estas mudanças,o YouTube (que é detido pela Google) quer ter uma postura mais forte contra ameaças e ataques pessoais, fazer com que as pessoas que tenham um padrão de comportamento de assédio sofram consequências e que os comentários tóxicos também sejam removidos dos vídeos.

“Nos últimos anos, temos vindo a trabalhar para melhorar a maneira como gerimos o conteúdo do YouTube, removendo-o rapidamente quando viola as nossas diretrizes da comunidade, reduzindo a propagação de  conteúdo que está no limite do admissível, criando vozes autorizadas quando as pessoas procuram notícias de última hora e informação e a recompensar criadores confiáveis e artistas que fazem do YouTube um lugar especial”, diz a empresa no comunicado divulgado esta quarta-feira.

Conscientes de que a plataforma “pode e deve fazer muito mais para proteger os criadores e a comunidade”, os responsáveis do YouTube estiveram durante oito meses a trabalhar nas alterações às políticas, juntamente com outros especialistas no assunto, como organizações que estudam o bullying online, jornalistas, defensores da liberdade de expressão e organizações políticas.

Fonte do YouTube explicou ao Observador que a forma como a empresa monitoriza os vídeos é uma parceria entre humanos e máquinas: as pessoas treinam os sistemas de inteligência artificial responsáveis por monitorizar o conteúdo, que depois recolhem a informação e a entregam aos humanos, entrando novamente no ciclo. Desta forma, os sistemas estão constantemente a aprender e em processo de otimização. Trabalham no YouTube cerca de 10 mil pessoas que ajudam a rever conteúdos.

Uma das mudanças passa por remover da plataforma vídeos com mensagens que indiretamente assediem ou incentivem a assediar alguém. Até à data, a plataforma só removia mensagens diretas e explícitas, mas agora vai remover também as implícitas. Isto “inclui conteúdo que simula a violência contra um indivíduo ou idioma, sugerindo que possa ocorrer violência física. Nenhum indivíduo deve ser sujeito a assédio que incite a violência”, lê-se no comunicado.

Além das ameaças, o YouTube quer remover também os vídeos com “linguagem humilhante que, por vezes, vai longe demais”. Para que isto aconteça, a plataforma desenvolveu a estrutura que já utiliza na política de incitação ao ódio.

“Não vamos mais permitir conteúdo que insulte maliciosamente alguém com base em atributos protegidos, tais como raça, identidade de género ou orientação sexual. Esta diretriz é aplicável a todos, de pessoas particulares a criadores do YouTube e entidades públicas”, lê-se.

Ao Observador, fonte da empresa explicou que o objetivo é remover qualquer conteúdo que viole estas normas, independentemente de quem o publica e o número de subscritores que tiver.

Mais consequências para quem publica vídeos ou comentários que assediem alguém

Depois de alguns criadores terem revelado que, por vezes, o assédio assume a forma de um padrão de comportamento repetido em vídeos ou comentários, mesmo que não haja um vídeo em específico que ultrapasse a  linha das políticas estabelecidas. Assim, os canais que se opuserem repetidamente à política de assédio serão suspensos do programa de parceiros do YouTube.

“Também podemos remover o conteúdo dos canais se os mesmos assediarem repetidamente alguém. Se este comportamento continuar, tomaremos medidas mais severas, incluindo avisos ou a rescisão de um canal por completo”, lê-se no comunicado.

Além de estar a prestar mais atenção aos vídeos, o YouTube também vai passar a estar mais atento à secção de comentários. “Recebemos o feedback de que, geralmente, é na secção dos comentários que os criadores e espectadores se deparam com assédio. Este comportamento não apenas afeta a pessoa visada pelo assédio, mas também pode ter um efeito assustador em toda a conversa”, lê-se.

Para resolver este problema, a plataforma decidiu remover os comentários que claramente violam as políticas. Só no terceiro trimestre do ano, a plataforma removeu mais de 16 milhões de comentários. Com a atualização das novas políticas, os responsáveis esperam que este número aumente no próximo trimestre.

“Quando não temos a certeza de que um comentário viola as nossas políticas, mas parece-nos ser potencialmente inapropriado, damos aos criadores a hipótese de o analisar antes de ser publicado no seu canal. Os resultados entre os primeiros adotantes foram promissores – os canais que ativaram o recurso tiveram uma redução de 75% nas sinalizações de utilizadores nos comentários. No início deste ano, começámos a ativar esta configuração por padrão para a maioria dos criadores”, explica o YouTube.

Esta funcionalidade será lançada na maioria dos canais até ao final do ano. Os utilizadores que sintam que estão a ser direta ou indiretamente assediados por alguém podem reportar essa situação à plataforma. “À medida que fazemos estas alterações, é extremamente importante que o YouTube continue a ser um lugar onde as pessoas possam expressar uma ampla gama de ideias e que continuaremos a proteger a discussão sobre assuntos de interesse público e de expressão artística”, explica a empresa.

Questionado sobre o possível impacto que estas mudanças podem ter no número de vídeos publicados na plataforma, fonte do YouTube explicou ao Observador que a preocupação, no momento “é responder às necessidades dos criadores e promover um ecossistema mais saudável”. Em três anos, o Youtube fez mais de 40 atualizações às suas políticas e vai continuar a revê-las.

“Temos o compromisso de continuar a rever as nossas políticas regularmente para garantir que as mesmas estejam a preservar a magia do YouTube e, ao mesmo tempo, que correspondam às expectativas da nossa comunidade”, lê-se no comunicado.