O primeiro-ministro português, António Costa, destacou esta terça-feira o princípio ‘um país, dois sistemas’ que “tem permitido a Macau” o respeito das suas especificidades e um “desenvolvimento material e social digno de apreço”.

Numa mensagem enviada à Lusa sobre os “20 anos da retrocessão da soberania de Macau para a China”, que se evocam sexta-feira, António Costa elogiou a importância diplomática do território nas relações com a China e a aposta no ensino da língua portuguesa, assumida pelo governo local.

Valorizamos também o princípio “um país, dois sistemas” que tem permitido a Macau e aos macaenses um desenvolvimento material e social digno de apreço, contribuindo para a manutenção das especificidades de Macau, o que valoriza Macau, mas também a própria China e a nossa relação com Macau e Pequim em todas as suas dimensões”, refere o governante português.

O desenvolvimento económico “tem permitido a Macau manter o seu estilo de vida e identidade próprios e uma ligação estreita ao nosso país”, considera António Costa na mensagem escrita.

Hoje, “Portugal tem um posicionamento geoestratégico único e uma pertença a espaços de cooperação mais vastos que potenciam as suas parcerias”, diz António Costa, considerando que, “nessa rede complexa de relacionamentos, Macau continuará a desempenhar um papel de relevo enquanto ponte para promover as relações de amizade de longo prazo” entre Lisboa e Pequim, bem como uma “plataforma para a cooperação económica, comercial e cultural com os países de língua portuguesa”.

Macau “é um ponto de encontro entre vários mundos. Não apenas entre o Ocidente e o Oriente, a Europa e a Ásia, mas igualmente entre a China e o mundo de língua portuguesa”, considerou o chefe de Governo português. Essa “sociedade multicultural, onde convivem povos de diversas origens e culturas” constituiu “a principal característica na identidade do território durante os 450 anos em que manteve uma ligação privilegiada com Portugal” e mantém-se “bem viva após a bem-sucedida retrocessão da soberania para a República Popular da China”.

Sobre o processo de transferência da administração do território, António Costa considera que “decorreu de forma muito construtiva e que constitui um marco histórico na consolidação da relação de amizade e de confiança” entre os dois países. “Desde 1999, temos progredido numa relação de crescente confiança mútua, em áreas como a língua, educação, cultura, justiça, turismo, comércio e investimento, bem como as demais áreas identificadas no ‘Acordo-Quadro de Cooperação entre Portugal e Macau‘, assinado em 2001″, recorda o primeiro-ministro, que destaca a importância do território na promoção da cultura portuguesa.

“A preservação dessa herança cultural representa uma oportunidade para ambos os espaços. A formação em língua portuguesa em Macau é estratégica para Portugal e para a própria Região Administrativa Especial de Macau”, disse Costa, saudando o executivo local pelos esforços de “generalizar o ensino” do idioma e de promover “formação de quadros bilingues”.

O princípio “Um país, dois sistemas” corresponde a um modelo de governação, definido por Deng Xiaoping na década de 1980, que confere autonomia a Hong Kong e Macau, ao contrário do que sucede no resto do país. Esta política visava atrair também Taiwan para o processo de reunificação da China, algo que não teve sucesso até hoje.

Macau assinala na sexta-feira os 20 anos da transferência de poder de Portugal para a China e a tomada de posse do novo Governo liderado pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, com destaque para a presença do Presidente Chinês, Xi Jinping.

O cônsul-geral português irá representar as autoridades portuguesas nas cerimónias, disse à Lusa na semana passada o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que referiu que Portugal não recebeu qualquer convite para se fazer representar a nível político, apontando que “a tradição das autoridades chinesas é comemorarem internamente as efemérides da transição”.

No dia 1 de maio, quando estava a passear no centro histórico de Macau, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu visitar o território durante este período, algo que acabou por não se verificar. “Dezembro pode ser um bom pretexto, por causa dos 20 anos. É evidente que a própria República Popular da China entende como naturalíssimo que Portugal esteja representado ao mais alto nível na celebração dos 20 anos, foi assim que aconteceu há 20 anos, é assim que acontece agora”, disse então Marcelo Rebelo de Sousa.