Um, dois, três, quatro. Depois da vitória frente ao Espanyol, o Atl. Madrid entrou na pior série de resultados da temporada, empatando com Granada e Villarreal tendo pelo meio as derrotas com Juventus e Barcelona. De certa forma foi nesse período que se percebeu o que faltava à equipa: se em termos defensivos a equipa continuava com a solidez do costume, sofrendo apenas por uma ocasião dois golos no mesmo jogo (Bayer Leverkusen, fora), o ataque não encontrava respostas para os problemas criados pelas defesas contrárias. João Félix, que tinha estado pouco mais de um mês fora por uma lesão no tornozelo, foi “chamado” a chegar-se à frente e oferecer mais à equipa que está desfalcada de Diego Costa. E foi isso que conseguiu fazer nas duas últimas partidas.

Depois de ter sido determinante no triunfo na receção ao Lokomotiv de Moscovo, que valeu a passagem aos oitavos da Liga dos Campeões (onde defrontará o campeão europeu e mundial Liverpool), João Félix não marcou mas fez também uma grande exibição contra o Osasuna, jogo que o Atl. Madrid venceu e que permitiu uma redução na desvantagem para os líderes Barcelona e Real Madrid, que empataram sem golos o clássico que tinham em atraso. Félix acompanhou a evolução da equipa, uma equipa que acompanhou também a evolução. Ainda assim, havia um pormenor que continuava preso nesse caminho de evolução: a eficácia de remate.

No empate sem golos com o Villarreal, João Félix realizou os 90 minutos e terminou a partida com nove remates, o máximo entre os colchoneros. No total, olhando apenas para a Liga, o português tentou 35 remates às balizas dos adversários, marcando apenas dois golos com Eibar e Maiorca, numa percentagem de apenas 6% que, de acordo com a Marca, fica longe do esperado. E que entroncam nos tais “aspetos a melhorar” que Diego Simeone mencionou após os dois últimos encontros, onde explicou ainda o porquê de tantas substituições do avançado.

“O João Félix é um dos melhores jogadores que temos ofensivamente. Tem poder de criatividade, de criar perigo e verticalidade quando tem a bola nos pés. Tem vindo a jogar com regularidade, melhorando de jogo para jogo nesta fase recente. Isso é muito bom para ele e para nós, mas gostava que tivesse mais gasolina no final. Talvez tenhamos de fazê-lo correr menos durante o jogo porque cada vez que a bola passa por ele há logo perigo e sensação de golo”, comentou o treinador argentino, que começou a ser contestado na pior fase de resultados.

Na vontade, Félix não falha. E aquele espírito guerreiro que marca esta era do “Cholismo” no Atleti demorou menos de um minuto a aparecer, com o antigo jogador do Benfica a protestar de forma veemente com o árbitro após um lance pelo ar em que um companheiro acabou por ser atingido. Mas o português, mesmo chegando ao intervalo em branco, foi um dos destaques da primeira parte, assistindo Morata para um golo anulado (8′) e para um tiro ao poste (35′) tendo pelo meio um cruzamento remate que Robles desviou de forma apertada para canto (22′). O Betis teve sempre muito mais bola, Zouhair Feddal acertou com estrondo na trave (17′).

O segundo tempo recomeçou com as mesmas características até que Simeone mexeu na equipa e demorou apenas um minuto a receber rendimentos: Correa, entrado para o lugar de Lemar, pressionou alto o lateral Moreno, ganhou a bola, isolou-se e inaugurou o marcador no Benito Villamarín na primeira vez que tocou na bola (58′). O Atl. Madrid tentou depois segurar a vantagem e “congelar” o jogo, passando vários calafrios como um remate a rasar a trave de Bartra (77′) e um tiro ao poste de Canales (78′) antes de Morata, com nota artística, marcar de calcanhar o 2-0 após assistência de Correa que carimbou a vitória fora dos colchoneros, algo que já não acontecia na Liga há 81 dias apesar do golo de honra de Bartra nos descontos. Félix, esse, teve gasolina até aos 89′, quando foi substituído por Marcos Llorente numa altura em que se tinha já apagado no jogo. Mas ainda lhe falta a ignição dos golos para chegar ao que Diego Simeone quer – e os 6% de eficácia de remate não ajudam nada.