Umaro Sissoco Embaló, candidato do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), venceu as eleições presidenciais da Guiné-Bissau, anunciou esta quarta-feira a Comissão Nacional de Eleições. O candidato derrotado admitiu impugnar os resultados eleitorais.

A segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau realizou-se no domingo. Votaram 555.521 eleitores (71,92 %) e a abstenção foi de 27,33%, uma subida em relação à primeira volta quando se abstiveram mais de 25%.

O vencedor das eleições presidenciais disse esta quarta-feira que é o Presidente de todos os guineenses e que vai promover a concórdia nacional.

Penso que já acabou a euforia da campanha agora sou o Presidente da República de todos os guineenses e é o momento de estender a mão a todos os guineenses para batizarmos uma nova Guiné”, afirmou em declarações aos jornalistas numa unidade hoteleira em Bissau, capital do país.

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De acordo com os resultados apresentados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), em Bissau, Umaro Sissoco Embaló foi eleito Presidente da Guiné-Bissau com 53,55 % dos votos. O candidato derrotado Domingos Simões Pereira obteve 46,45 % dos votos e só ganhou nas regiões de Biombo, Bolama/Bijagós, diáspora e setor autónomo de Bissau. Umaro Sissoco Embaló venceu nas regiões de Pombali, Quinara, Oio, Bafatá, Gabu e Cacheu.

“Eu, como disse, reformulo outra vez ser um Presidente da concórdia nacional, um homem de rigor, de disciplina, de combate à corrupção e à droga. Isso, eu mantenho. A Guiné não será aquele Estado que permite a cada um falar da Guiné como quer. Agora há um homem de Estado”, salientou.

Umaro Sissoco Embaló afirmou também que os guineenses vão passar a sentar-se à mesa para resolver os seus problemas e que “não haverá imiscuições”, porque a Guiné-Bissau é uma “República soberana e independente”.

“Não há um Estado pequeno, há países pequenos, mas todos os estados são iguais. Vim da esfera das forças armadas e vou aplicar a minha sabedoria e ouvir os conselhos dos guineenses, não do exterior, o conselho dos meus irmãos da Guiné, que votaram em mim, porque tenho um compromisso com eles”, frisou.

Questionado sobre se o seu adversário na corrida às presidenciais já lhe tinha telefonado, o Presidente eleito disse que ainda não.

Há um Presidente eleito, nós somos irmãos, e ele é presidente do PAIGC e eu não posso excluir Domingos Simões Pereira porque 46% da população da Guiné-Bissau votou nele. Tenho de utilizar estes 46% para que sintam também que sou o candidato deles”, vincou.

Candidato derrotado admite impugnar resultados

O candidato derrotado Domingos Simões Pereira admitiu impugnar os resultados eleitorais para garantir que correspondem efetivamente à vontade dos guineenses.

Depois de tudo o que vi, ouvi e sei não tenho dúvidas que o povo guineense nestas eleições presidenciais deu-nos a vitória, sim. Eu não tenho dúvidas de que conquistámos a vitória nestas eleições presidenciais e a minha primeira palavra é dirigida aos milhares de militantes e simpatizantes do nosso partido”, afirmou Simões Pereira, perante dezenas de apoiantes na sede do partido.

“Se tenho a convicção que o povo guineense nos dá a vitória nestas eleições presidenciais significa que os resultados provisórios agora publicados pela Comissão Nacional de Eleições estão profundamente impregnados de irregularidades, de nulidades, de manipulações, que consubstancia e une àquilo que consideramos um roubo e não podemos aceitar”, disse Domingos Simões Pereira.

Portugal expressa vontade de colaborar com Presidente eleito

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros expressou esta quarta-feira a firme intenção de Portugal colaborar com o novo Presidente eleito da Guiné-Bissau, incrementando a colaboração no quadro bilateral, e multilateral, com aquele país africano de língua oficial portuguesa.

Em declarações à Lusa, Augusto Santos Silva salientou o “enorme civismo e maturidade democrática demonstrados pelo povo guineense nestas eleições presidenciais”, notando que estas “são muito importantes porque fecham um ciclo político-eleitoral” que todos esperam que resulte na “estabilidade institucional da Guiné-Bissau”.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros quis ainda “registar e saudar” o facto de os resultados eleitorais indicarem uma possível vitória do candidato Umaro Sissoco Embaló, aproveitando para, em nome de Portugal, manifestar a vontade do Estado português em colaborar com o novo Presidente guineense da “mesma forma que tem colaborado com todas as autoridades guineenses”.

Isto é, com o único propósito de aprofundar o nosso relacionamento bilateral, incrementando o nível da nossa cooperação no quadro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ou em outros quadros multilaterais” e também colaborar com a Guiné-Bissau “nas agendas de interesse comum para ambos os países”.