Um antigo funcionário da Caixa Geral de Depósitos (CGD) confessou esta quarta-feira no Tribunal de Aveiro que se apoderou de 47.800 euros das contas de vários clientes da agência onde trabalhava, durante cerca de dois anos.

No início do julgamento, o arguido de 46 anos fez uma “confissão integral e sem reservas” dos factos que lhe são imputados na acusação do Ministério Público (MP).

É tudo verdade. Fui eu que informei a própria Caixa de todos os movimentos em que tinha feito ilicitamente levantamentos”, disse o arguido, que solicitou a rescisão do contrato de trabalho após ter sido descoberto.

Perante o coletivo de juízes, o ex-bancário mostrou arrependimento e justificou a sua conduta, alegando que “estava a passar uma fase delicada” da sua vida, depois de dois divórcios. O arguido disse ainda que está insolvente e adiantou que são os seus pais que o estão a ajudar a reembolsar o banco que, entretanto, já restituiu aos clientes as quantias indevidamente retiradas das suas contas. Atualmente, segundo o arguido, o montante do capital em dívida é de 28.900 euros.

O arguido, que está acusado de um crime de furto qualificado, um de falsificação de documento e outro de falsidade informática, exerceu funções de gestor de clientes durante cerca de 10 anos na agência da CGD de Ílhavo.

Segundo a acusação do MP, entre março de 2012 e outubro de 2013, o arguido acedeu às contas de vários clientes através da plataforma informática interna do banco das quais levantou sem o seu conhecimento e autorização 47.800 euros.

De acordo com a investigação, o arguido fez 18 levantamentos de quantias entre os 1.000 e 3.500 euros.

O caso só foi descoberto em novembro de 2013, quando uma das lesadas solicitou ao gerente da agência esclarecimentos sobre um débito de 3.000 euros processado na sua conta.