O jornal dinamarquês Jyllands-Posten publicou, na edição de segunda-feira, um cartoon da bandeira da China, na qual as habituais estrelas amarelas foram substituídas por desenhos de vírus, numa alusão ao coronavírus, que já matou 106 pessoas no país. A embaixada chinesa na Dinamarca considerou que a imagem é “um insulta à China”, “magoa o sentimentos da população chinesa” e exigiu um pedido de desculpa.

“Sem qualquer simpatia ou empatia, [o desenho] ultrapassa os limites de uma sociedade civilizada e o limite ético da liberdade de expressão, e insulta a consciência humanos. Expressamos a nossa forte indignação e exigimos que o Jyllands-Posten e Niels Bo Bojesen [o cartoonista que fez a caricatura] peçam desculpa publicamente ao povo chinês”, lê-se num comunicado publicado no site da embaixada chinesa na Dinamarca, citado pela Bloomberg e pelo The Local.

O editor do jornal já fez saber que o jornal não irá pedir desculpa: “Não podemos pedir desculpa por algo que não achamos que seja errado“, afirmou  Jacob Nybroe, reforçando que a intenção do Jyllands-Posten não foi “humilhar ou gozar”. “Não achamos que o desenho faça isso”, acrescentou.

Quando questionada sobre a polémica, a primeira-ministra não abordou o caso em particular, mas recordou que o país tem uma “forte tradição não só com a liberdade de expressão, mas também com a liberdade de sátira”. “E vamos continuar a ter isso no futuro”, disse Mette Frederiksen, citada pela Bloomberg.

Já não é a primeira vez que o Jyllands-Posten se vê envolvido numa polémica devido a cartoons publicados no jornal. A 30 de setembro de 2005, o jornal publicou 12 caricaturas de Maomé, o que provocou indignação em vários países muçulmanos, tendo mesmo levado a uma crise diplomática — a Arábia Saudita e a Líbia fecharam as representações diplomáticas na Dinamarca, refere o Público.