A Associação de Pais da D. Pedro I, escola de Vila Nova de Gaia que esteve em risco de fechar por falta de funcionários, prometeu esta quinta-feira permanecer “vigilante” e alertou que o equipamento se mantém aberto “em condições mínimas”.

“A escola está aberta e a cumprir o horário total, mas está em condições mínimas. Continuaremos atentos, vigilantes. Mas registamos que o senhor delegado geral da DGEstE [Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares] mostrou-se comprometido com as necessidades da escola, reuniu ontem [quarta-feira] logo às 8h com a direção e connosco e agora decorrerão concursos [para novos funcionários] ao longo das próximas duas semanas”, descreveu, à Lusa, o presidente da Associação de Pais da Escola D. Pedro I, Carlos Gonçalves.

A Escola D. Pedro I acolhe cerca de mil alunos do 5.º ao 9.º ano de escolaridade, localizando-se na freguesia de Canidelo, Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

Na terça-feira a direção da escola que é sede do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome, anunciou que iria fechar no dia seguinte a partir das 15h, ou seja, cerca de três horas e meia mais cedo do que o habitual por falta de funcionários.

Na sequência desta tomada de decisão, a associação de pais distribuiu uma comunicação pelos pais, na qual colocava a hipótese de vir a fechar a escola integralmente, argumentando que em causa estava a segurança das crianças.

Na quarta-feira, o Ministério da Educação, em nota enviada à agência Lusa, anunciou que foi definida uma “distribuição horária que garante o funcionamento” da Escola D. Pedro I.

“Após reunião realizada esta manhã [quarta-feira] na Escola Básica D. Pedro I, foi determinado o não encerramento a partir das 15h, ao contrário do anunciado ontem [terça-feira] pela direção daquele estabelecimento. Foram sempre dadas as respostas ajustadas às situações apresentadas, como é o caso da atribuição de um funcionário com vínculo permanente em março do ano passado, e respetivo acesso à bolsa de recrutamento para suprir ausências, bem como, em novembro, novo reforço de horas para complementar, igualmente, as ausências de trabalhadores que se encontravam de baixa”, referia a resposta do Ministério da Educação.

Esta quinta-feira, a associação de pais, em jeito de ponto de situação, descreveu à Lusa que os dois funcionários que estavam alocados ao ginásio e balneários foram distribuídos por outros pavilhões, razão pela qual os alunos não têm “temporariamente” aulas de educação física. “Mas a situação que nos preocupa mais, e prometemos acompanhar, é o fecho do ‘buffet’ às 15h30. Esperemos que seja uma necessidade temporária de rápida resolução. A papelaria também tem horários muito apertados, sendo lá que os alunos adquirem as senhas para comer”, disse Carlos Gonçalves.

Também esta quinta-feira, em nota enviada à Lusa, o Bloco de Esquerda exigiu que o Ministério da Educação “atue de forma urgente para que a escola receba, o mais rápido possível, mais recursos humanos para dar respostas às necessidades permanentes”. “A falta de operacionais nas escolas tem sido dramática, colocando em causa muitas vezes a própria segurança dos alunos. O BE viu a sua proposta para a contratação dos funcionários em falta nas escolas ser aprovada esta semana”, refere a nota dos bloquistas.

Na terça-feira, também a Direção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP alertou, em comunicado, para esta situação, acrescentando que os deputados comunistas iam pedir “explicações ao Governo, solicitando que intervenha assegurando a rápida resolução do problema”. “Esta situação extrema, que só acontece por manifesta falta de alternativa, reflete o estado em que se encontram vários agrupamentos deste concelho. Um problema, infelizmente, registado também noutros concelhos”, referia o comunicado do PCP.