Há uma semana, na passada quinta-feira, o Sporting foi a única de quatro equipas portuguesas a ganhar na Liga Europa. Esta semana, esta quinta-feira, o Sporting era a única de quatro equipas portuguesas a arrancar com vantagem para a segunda mão dos 16 avos de final da Liga Europa. No fim do jogo, no fim de 120 minutos em Istambul, o Sporting desperdiçou a vitória, desperdiçou a vantagem, desperdiçou o favoritismo e acabou eliminado.

Eliminado no penúltimo minuto de um prolongamento que só existiu graças a um golo no segundo minuto de descontos do tempo regulamentar, é certo. Mas eliminado. E eliminado porque nunca foi melhor do que o Basaksehir, porque não soube gerir a vantagem que levava na bagagem e porque se comprometeu a fazer um jogo que não sabe fazer e que implica defender bem para atacar melhor. Em fevereiro, quando faltam cerca de três meses para o final da temporada, o Sporting está desprovido de todos os objetivos: não chegou sequer à final da Taça da Liga, está fora da Taça de Portugal, na Liga só luta pelo terceiro lugar e já saiu das competições europeias.

No jogo que acabou por esvaziar definitivamente a atual época desportiva do futebol leonino, a equipa de Silas foi eliminada nos 16 avos de final da Liga Europa pelo segundo ano consecutivo. Há um ano, foi o Villarreal que afastou os leões — uma equipa que, apesar de tudo, está na primeira metade da liga espanhola, uma das cinco melhores da Europa, e que é habitué nestas andanças. Este ano, contra o Basaksehir, o Sporting caiu contra uma equipa que acabou de chegar pela primeira vez na própria história aos oitavos de final da Liga Europa e que se estreou nas competições europeias há apenas quatro temporadas.

Mais do que isso, ao perder em Istambul, o Sporting somou a 14.ª derrota da temporada, o pior registo desde 2012/13 e apenas menos uma do que o pior de sempre (em 2000/01 e 2012/13, quando perdeu 15 vezes em toda a época). Feitas as contas, sendo que estamos em fevereiro e que os leões ainda têm de jogar no Dragão e na Luz e já perderam com FC Porto e Benfica esta temporada, o mais provável é que o Sporting acabe por ter em 2019/2020 a pior época da própria história no que diz respeito a derrotas.

Na flash interview, Coates, na condição de capitão de equipa, acabou por pedir desculpa aos adeptos. “A verdade é que cometemos muitos erros que nestas provas não se podem cometer. Tínhamos uma vantagem favorável e não conseguimos aproveitar. Como grupo temos de fazer uma autocrítica para melhorar. Pedimos desculpa aos adeptos que vieram e aos que ficaram em Portugal. Pela vantagem que tínhamos demos a iniciativa ao rival e, se calhar, isso foi um erro. Como disse, temos de fazer uma autocrítica enquanto grupo e tratar de fazer os pontos restantes no Campeonato”, disse o central uruguaio, que voltou à equipa depois de ter cumprido castigo na Liga contra o Boavista.

Já Emanuel Ferro, adjunto de Silas, disse ser “inadmissível” o Sporting sofrer tantos golos de bola parada. “Era um jogo diferente, na casa do adversário, por isso sabíamos que iria ter mais iniciativa. Baixámos as linhas, fomos capazes de controlar, mas acabámos por sofrer. Na segunda parte, entrámos muito bem, marcámos, ficámos por cima da eliminatória, mas acabámos por sofrer um golo no final, que igualou a eliminatória. Imerecidamente a nosso ver, pois no conjunto das duas mãos fomos superiores. No prolongamento acabou por ser mais do mesmo da segunda parte, devíamos ter marcado e é inadmissível termos sofrido cinco golos de bola parada no conjunto das duas mãos. Não podemos permitir estes erros”, explicou Ferro, que ainda comentou uma eventual saída da equipa técnica leonina antes do final da temporada. “O que quero pensar nesta altura é na recuperação rápida dos jogadores. Foi uma eliminatória difícil, uma viagem longa. O essencial é estarmos a trabalhar de forma séria, comprometida”, concluiu o adjunto.