A China vai contemplar Cabo Verde com um apoio militar no montante de 4,4 milhões de euros, que vai ser materializado nos próximos cinco anos, conforme protocolo assinado esta quarta-feira na cidade da Praia.

O protocolo para concessão gratuita da assistência militar foi assinado pelo ministro da Defesa cabo-verdiano, Luís Filipe Tavares, e o embaixador da China em Cabo Verde, Du Xiaocong. O acordo surge na sequência da primeira visita do titular da Defesa de Cabo Verde a esse país asiático, em novembro de 2017, e da cimeira sobre a cooperação África-China, em setembro de 2018, tendo a decisão do apoio tomada pelas autoridades chinesas em dezembro de 2018.

Segundo o embaixador da China em Cabo Verde, o protocolo consiste no fornecimento de materiais às Forças Armadas cabo-verdianas, que espera também possam fortalecer as relações com as suas congéneres chinesas. Lembrando que os dois países estabeleceram relações diplomáticas logo após a independência de Cabo Verde, em 1975, o embaixador disse ainda que ao longo dos anos a cooperação entre as Forças Armadas tornou-se destaque no âmbito das boas relações entre os dois países.

A China apoia a causa da defesa nacional de Cabo Verde, oferecemos às Forças Armadas materiais militares e curso de formação aos recursos humanos”, apontou o diplomata chinês, indicando que as visitas recíprocas e de alto nível entre os dois países são frequentes.

O ministro da Defesa de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, disse que o donativo vai ajudar as Forças Armadas do país a ter um “serviço de radiocomunicação moderníssimo” e meios de transporte de militares igualmente modernos.

“A expressão do número, cinco milhões de dólares [4,4 milhões de euros], deixa antever que, de facto, vamos ter muitos equipamentos para as nossas Forças Armadas”, sublinhou Luís Filipe Tavares, também chefe da diplomacia cabo-verdiana, que considerou o ato “simbólico”, mas importante para a melhoria das condições da instituição castrense. Por isso, entendeu que os materiais vão contribuir para “transformar” as Forças Armadas do país, que desafiou a criar uma lei da programação militar para antever o seu futuro.

O desafio para a próxima legislatura é termos uma lei de programação militar, para podermos antever o futuro da nossa instituição castrense”, sustentou o governante.

Além da China, Luís Filipe Tavares disse que Cabo Verde está a mobilizar outros recursos e brevemente vai assinar um acordo com a República da Sérvia, para formação dos militares e criação de um serviço de informação moderno nas Forças Armadas. “Estamos num momento muito importante para a nossa instituição. Eu ousaria dizer que estamos a revolucionar as Forças Armadas de Cabo Verde”, disse o ministro.