O antigo chefe dos serviços de inteligência de Hugo Chávez, Hugo Carvajal, vai entregar-se às autoridades norte-americanas, avança a Reuters. Carvajal foi acusado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos de narcotráfico e lavagem de dinheiro, numa investigação que também abrange Nicolás Maduro, atual presidente da Venezuela. O ex-general venezuelano estava em Espanha, mas o seu paradeiro é desconhecido desde novembro de 2019, altura em que a justiça espanhola decretou a sua extradição para os Estados Unidos.

Hugo Carvajal, de 59 anos, foi uma das cabeças colocadas a prémio durante a semana passada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O antigo general foi então acusado de pertencer a uma rede de tráfico de droga e lavagem de dinheiro nos Estados Unidos, na sequência de uma investigação levada a cabo pelas autoridades federais de Washington, Nova Iorque e Florida.

EUA oferecem 15 milhões pela detenção de Nicolás Maduro. É acusado de tráfico de droga e lavagem de dinheiro nos EUA

A Reuters indica ainda que a operação de entrega de Hugo Carvajal — cujas informações de paradeiro valiam 10 milhões de euros — está a ser orquestrada pelo Centro Nacional de Inteligência espanhol e deve tornar-se efetiva “em poucas horas”.

Para além de Carvajal e Maduro, os Estados Unidos também colocaram um preço às informações que possam levar às detenções de outros 14 atuais e ex-membros do governo e das forças de inteligência venezulanos — assim como das FARC, o maior grupo rebelde na Colômbia, a quem Maduro se terá associado nesta rede de tráfico de droga investigada pela DEA (o departamento de investigação anti-droga dos Estados Unidos). Segundo a Associated Press, informações que levem à detenção de Nicolás Maduro valem nesta altura 15 milhões de euros.

Segundo o general William Barr, o procurador-geral norte-americano que, na semana passada, anunciou as recompensas para quem encontrasse os suspeitos, os líderes venezuelanos acusados terão organizado uma “ponte aérea” a partir de uma base aérea na Venezuela –através da qual enviavam droga para a América Central. A investigação estima que “entre 200 e 250 toneladas de cocaína” foram enviadas para fora do país sul-americano por estas rotas.