Foi às 00h20 da madrugada de 25 de abril de 1974 que a canção se ouviu na rádio. Era o sinal que confirmava o início da revolução. Agora, 46 anos depois, e em plena situação de exceção devido à pandemia da Covid-19, o Bloco de Esquerda, tal como a Associação 25 de Abril, quer que toda a gente vá às 15h para a janela de casa cantar a segunda senha da revolução a plenos pulmões. Para isso, os bloquistas até criaram um autêntico manual de instruções. Para que não falhe nada.

O “manual de instruções” foi publicado no site esquerda.net, página oficial do Bloco de Esquerda, e além de conter um documento em pdf com a letra completa da canção, a cores e a preto e branco – para facilitar a impressão -, tem também instruções claras sobre o que fazer. Primeiro, decorar a letra, ou, em alternativa, “levar uma cábula” (daí a letra para imprimir); depois, “ensaiar algumas vezes, para não passares vergonhas”; depois, aquecer a voz, “mas não tem mal se desafinares”; em quarto lugar, levar uma coluna para a janela, sendo que a sugestão é fazer playback (ou lip sync) “se não tiveres mais ar”; em quinto lugar, cantar a Grândola propriamente dita; e, por último, terminar gritando “alto” “25 de abril sempre! Fascismo nunca mais!”.

BE publicou um manual de instruções para cantar a música à janela

No final, além de anexar o manual e a letra da canção para as pessoas poderem imprimir, os bloquistas sugerem mesmo que a letra seja afixada no interior do prédio.

“Em tempos de pandemia, as comemorações populares do 25 de Abril passam das ruas e praças para as janelas e varandas. Às 15h00, deste sábado, o aniversário da Revolução portuguesa é assinalado através do canto da “Grândola Vila Morena” a partir das nossas casas”, lê-se no artigo.

Catarina Martins será a primeira a dar o exemplo. A coordenadora do BE vai estar, à hora marcada, à janela da sede do BE, na rua da Palma, em Lisboa, a cantar a canção que se tornou o símbolo da revolução, anunciou a assessoria de imprensa do Bloco de Esquerda aos jornalistas.

Também a Associação 25 de Abril anunciou o cancelamento da tradicional manifestação na Avenida da Liberdade (em Lisboa) e lançou o apelo para que os portugueses nesse dia, pelas 15h, fossem à janela cantar.