Os embaixadores dos Estados-membros da NATO foram convocados esta quinta-feira para uma reunião de emergência na sexta-feira após o anúncio da retirada dos EUA do Tratado de Céus Abertos, por causa da violação pela Rússia, segundo fonte diplomática.

Os EUA informaram esta quinta-feira os parceiros internacionais que iriam retirar-se de um tratado que permite a mais de 30 países promover voos de observação desarmados sobre os respetivos territórios e que foi estabelecido há décadas para promover a confiança mútua, acusando Moscovo de não cumprir os termos do acordo.

O anúncio de retirada dos Estados Unidos prejudica as relações com a Rússia e deixou um rasto de desconforto em alguns aliados europeus, que beneficiam das imagens obtidas pelos voos do Céus Abertos.

Esta quinta-feira, os embaixadores dos países membros junto da NATO foram convocados para uma reunião de emergência para analisar na sexta-feira a situação, depois de reações de preocupação por parte da Rússia e mesmo de uma admissão de possibilidade de recuo na intenção por parte do Presidente norte-americano, Donald Trump.

A diplomacia russa já tinha alertado, ao início da tarde, para os riscos da decisão dos Estados Unidos.

“A retirada dos Estados Unidos deste tratado significa não apenas um golpe para a fundação da segurança europeia, mas também para os mecanismos militares de segurança e para os interesses essenciais dos próprios aliados dos Estados Unidos”, reagiu, horas depois, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexandre Grouchko.

Após esta reação de Moscovo, o Presidente Donald Trump admitiu que os Estados Unidos pudessem reconsiderar a decisão de sair do tratado, desde que a Rússia cumpra o estabelecido.

“A Rússia não cumpriu o tratado. Por isso, até que eles o cumpram, nós manteremos a decisão de sair. Mas há boas hipóteses de podermos fazer um novo acordo ou fazer alguma coisa para o recuperar“, disse Trump aos jornalistas.

“O que eu acho que vai acontecer é que vamos sair e eles (os russos) vão querer voltar e fazer um acordo”, explicou o Presidente norte-americano.

O anúncio de retirada dos Estados Unidos prejudica as relações com a Rússia e deixou um rasto de desconforto em alguns membros do Congresso norte-americano e com alguns aliados europeus, que beneficiam das imagens obtidas pelos voos do Céus Abertos.

A administração norte-americana justificou a decisão de abandonar o Tratado de Céus Abertos (Treaty on Open Skies, em inglês) pelo facto de a Rússia estar a violar o tratado, para além de argumentar que imagens recolhidas durante os voos podem ser obtidas mais rapidamente e com menos custos através dos satélites comerciais norte-americanos.

No entanto, a retirada de Washington deste tratado destinado a promover a confiança mútua entre os países signatários e evitar conflitos, deverá agravar as relações com Moscovo e suscitar críticas dos aliados europeus e de alguns membros do Congresso.

Em 1955, o então Presidente dos EUA, Dwight Eisenhower, propôs que os EUA e a antiga União Soviética permitissem voos de reconhecimento aéreo mútuos nos respetivos territórios.

Moscovo rejeitou inicialmente a ideia, mas o ex-Presidente George H. W. Bush retomou a proposta em maio de 1989, e o tratado entrou em vigor em janeiro de 2002.

Atualmente, 34 países assinaram o tratado, enquanto o Cazaquistão também se comprometeu com projeto mas optou por não o ratificar até ao momento.