Morreu Larry Kramer, produtor cinematográfico e atividade dos direitos da comunidade LGBT, vítima de pneumonia, avançou o The New York Times. Tinha 84 anos. Larry Kramer, ele próprio infetado pelo VIH, tornou-se uma das mais importantes vozes nos Estados Unidos da comunidade LGBT durante a epidemia de sida.

A confirmação da morte veio do marido do ativista, David Webster. Além da infeção pelo vírus da sida, Larry Kramer também desenvolveu problemas de fígado e chegou a passar por um transplante. Desde os anos 80 e ao longo dos anos 90, lutou por mudanças estruturais no sistema de saúde para responder à crise de sida nos Estados Unidos.

Larry Kramer foi um dos primeiros a avisar que a doença aparentemente cancerígena que estava a espalhar-se estre os homens homossexuais era, afinal uma doença sexualmente transmissível que se iria espalhar pelo mundo, independentemente da orientação sexual das pessoas.

O produtor cinematográfico criou a primeira organização para pessoas infetadas pelo VIH, em 1981 — a Gay Men’s Health Crisis. No entanto, foi afastado apenas um ano mais tarde por causa dos discursos violentos e comportamentos explosivos. Na altura, chamou aos diretores “um bando de maricas”, recorda o The New York Times.

Em 1987, Larry Kramer fundou o Act Up — Coligação da Sida para Soltar o Poder, que organizava manifestações com inspirações militantes para pedir mais investigação em torno da doença provocada pelo VIH. O grupo também pedia o fim da discriminação dirigida aos homossexuais.

Mais tarde, o ativista veio a explicar que a personalidade explosiva e os discursos inflamados era parte da estratégia para chamar a atenção do povo norte-americano para o problema da sida. Larry Kramer chegou a mandar uma carta aberta ao diretor do Instituto nacional de Alergias e Doenças Infecciosas chamando-lhe “assassino” e “um idiota incompetente”.

Em declarações ao The New York Times, Anthony S. Fauci considerou que “se ultrapassarmos a retórica descobrimos que o Larry Kramer dizia coisas com sentido e que tinha um coração de ouro”. Também Susan Sontag, escritora e ela própria defensora dos direitos humanos, descreveu-o como “um dos desordeiros mais valiosos”.

As animosidades entre Anthony S. Fauci e Larry Kramer desvaneceram quando o especialista percebeu do que falava o ativista: o sistema era tão burocrático que não deixava avançar a investigação em torno da sida e a busca por uma solução. Graças aos alertas emitidos por Larry Kramer, a Food and Drug Administration (FDA) facilitou as pesquisas, testes e aprovações dos medicamentos que ainda hoje permitem prolongar a vida dos infetados pelo VIH.

De acordo com o The New York Times, Larry Kramer estava a trabalhar num projeto “sobre o facto de as pessoas homossexuais já terem passado por três pragas”. Seria mais um trabalho num role de outros que lhe chegaram a levar para a lista de nomeados pela Academia para os Óscares por “Women in Love” em 1969.