Nos três primeiros meses do ano, foram vendidas mais de cinco milhões de embalagens de ansiolíticos e antidepressivos, segundo avança o Diário de Notícias, esta terça-feira. Portugal é o quinto país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que mais consome estes medicamentos.

Segundo dados do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), citados pelo jornal, de janeiro a março deste ano, foram vendidas 2.664.414 embalagens de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, e 2.262.530 embalagens de antidepressivos, ou seja, um total de 5.277.144 embalagens. São mais 400 mil do que no mesmo período do ano passado. Em 2019, foram vendidas 20 milhões de embalagens destes medicamentos, o que representou um encargo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) superior a 100 milhões de euros (mais 5% do que no ano anterior).

Para o presidente do Conselho Nacional para a Saúde Mental, o psiquiatra António Leuschner, há vários fatores a explicar estes dados, como a automedicação não orientada. “Este tipo de automedicação é um problema, tomo porque o meu pai ou meu amigo tomou e correu bem. Muitos não têm sequer prescrição e se fossem avaliados por um médico ou não tomariam medicamentos ou então teriam de tomar outros”, diz, citado pelo jornal. Os medicamentos podem causar habituação e serem tomados mesmo que a pessoa não precise deles.

De acordo com dados da OCDE, o consumo destes medicamentos mantém-se estável em Portugal desde 2014. Apenas Islândia, o Canadá, a Austrália e o Reino Unido estão à frente de Portugal na compra de ansiolíticos e antidepressivos.