As motos eléctricas ainda são uma realidade relativamente recente, mas isso não impede que não tenham já sido estabelecidos recordes, devidamente registados na “bíblia” da especialidade, o Guinness World Records. De momento, a velocidade máxima alcançada neste tipo de motociclos fixa-se nos 327 km/h, atingidos em 2019 pela Motibec com o piloto japonês Ryuji Tsuruta aos comandos.

Contudo, o fabricante francês Voxan está apostado em superar essa marca, para o que preparou a Wattman especificamente com o intuito de estabelecer um novo recorde, apontando por isso a agulha do velocímetro aos 330 km/h e apostando no talento do piloto Max Biaggi, bicampeão do mundo em 250 cc e três vezes vice-campeão nas principais classes de 500 cc e Moto GP, para cumprir esse desiderato.

Os planos iniciais passavam por enrolar o punho da Wattman este mês, mas a pandemia levou a especialista gaulesa em motos eléctricas a adiar a tentativa de bater o recorde para o ano. Precisamente, para daqui a um ano, com a prova a decorrer no maior deserto de sal do mundo, Salar de Uyuni, na Bolívia.

Mas se o coronavírus serve de justificação para atrasar a obtenção de um novo recorde, em nada adiou a apresentação da moto eléctrica com 317 kW (425 cv) e que pesa apenas 300 kg, dos quais 140 kg se devem ao pack de células de iões de lítio que dão forma a uma bateria com 15,9 kWh de capacidade. A Voxan Wattman estaria, assim, em linha com outras propostas no mercado – a Harley Davidson LiveWire tem uma bateria de 15,5 kWh. Mas, como tem uma meta a cumprir, os requisitos da moto francesa são outros. Uma vez que a potência do motor é tal forma elevada, para evitar o sobreaquecimento da bateria, a temperatura tem de ser mantida baixa artificialmente. Neste caso, à custa de… gelo seco. Um reservatório com CO2 congelado refrigera motor e bateria, mas essa não é a única particularidade desta Wattman, que também não tem travões à frente, nem paraquedas.

O director técnico da Voxan, Franck Baldet, explicou estas opções. Segundo ele, os travões à frente são dispensáveis para melhorar a aerodinâmica a alta velocidade e também porque, tratando-se de uma vasta área plana e salgada, a fraca aderência atrasa a aceleração ,mas oferece espaço suficiente para desacelerar. Mais importante ainda, “a travagem da roda dianteira a alta velocidade num piso salino poderia desequilibrar a moto e causar a queda do piloto”. Quanto à ausência do habitual paraquedas neste tipo de desafios, Baldet defende que a lacuna é superável, travando quer com a roda de trás, no punho esquerdo do guiador, quer com o motor, através de uma pequena alavanca no punho direito do guiador.