A Ineos Automotive deu que falar recentemente por ter apresentado o Grenadier, um 4×4 puro e duro, ao estilo do Defender da anterior geração, modelo que será proposto em duas variantes de carroçaria (jipe e pick-up) e que, conforme foi apontado por fontes da própria marca, seria produzido entre Estarreja, onde era suposto que o fabricante britânico investisse 300 milhões de euros para aí produzir o chassi de longarinas e, segundo a imprensa britânica, também os painéis de porta, e o País de Gales, onde se procederia à montagem numa antiga fábrica de motores da Ford, em Bridgend. Sucede que, pouco depois de ter revelado ao mundo as primeiras imagens e dados técnicos do Grenadier, a Ineos veio a público informar que a produção do todo-o-terreno, afinal, não vai passar por Portugal e Gales parece cada vez mais uma hipótese descartada. Sabe-se agora porquê: a Daimler está vendedora da fábrica da Smart em França e a Ineos está compradora dessa unidade fabril para dela fazer o centro de produção do novo Grenadier, cuja chegada ao mercado está prevista para 2021.

Saudades do antigo Defender? Aqui está o novo Ineos Grenadier 4×4

A notícia é avançada pela Autocar e, de acordo com a publicação britânica, a Ineos está sentada à mesa das negociações com a Daimler, procurando chegar a um acordo para adquirir a fábrica da Smart em Hambach – informação que vai ao encontro da justificação da Ineos para suspender o investimento em Portugal.

Conforme o Observador aqui noticiou, a explicação então avançada remeteu para a Covid-19. Em concreto, para as oportunidades de negócio criadas pela pandemia. “O novo cenário permitirá à Ineos produzir o Grenadier numa unidade industrial já em funcionamento”, esclareceu o CEO da Ineos Automotive, Dirk Heilmann, adiantando que essa opção iria permitir ao jovem fabricante “usufruir da força de trabalho com histórico de construção na área automóvel e da capacidade técnica instalada, que possibilita a fabricação de outro produto”.

Quem é o pai do Grenadier 4×4, o jipe puro e duro?

A marca que nasceu do capricho do homem mais rico do Reino Unido, Jim Ratcliffe, que se recusou a baixar os braços depois de a Land Rover lhe negar a possibilidade de produzir entre 20 mil e 30 unidades do Defender por ano, precisa rapidamente de “resolver” o problema da produção para não derrapar no lançamento do Grenadier. Tal como Estarreja, a antiga fábrica de motores da Ford no País de Gales exigiria tempo e investimento para se adaptar à produção do jipe da Ineos. Isto embora ainda na passada semana a BBC News relatasse que o próprio primeiro-ministro galês estava empenhado em garantir a produção em Bridgend, o que geraria até 500 postos de trabalho.

À luz das novas informações e atendendo a que a fábrica francesa da Smart recebeu recentemente um investimento da Daimler para aí produzir um SUV, tudo indica que as conversações terão como desfecho um jipe inglês “made in France”, pois o futuro da Smart está decidido e é chinês.