O Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) reativou uma enfermaria para doentes com Covid-19 para “dar resposta” ao “aumento da pressão” no internamento, provocado pelo surto que surgiu num lar em Reguengos de Monsaraz.

“Tivemos que reorganizar os espaços para conseguirmos dar resposta a este surto e ao aumento de pressão de internamento nas enfermarias e na unidade de cuidados intensivos (UCI)”, afirmou esta quarta-feira à agência Lusa a presidente do HESE, Filomena Mendes.

Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, regista o maior surto de Covid-19 no Alentejo, com 15 óbitos e 133 casos ativos, na sequência de um foco detetado, em 18 de junho, no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva.

Segundo a presidente do conselho de administração da unidade hospitalar, a situação no HESE “alterou-se completamente” depois do dia 18, quando “uma primeira utente do lar entrou no hospital, fez o teste e se percebeu que estava infetada”.

Segundo a responsável, entre o dia 23 de março — primeiro internamento — e dia 18 de junho — quando foi detatado o primeiro caso no lar — estiveram “19 pessoas internadas”  e, desde então e até esta quarta-feira, o hospital recebeu “33 pessoas” nas enfermarias.

Se formos fazer a média, que às vezes é enganadora, por cada 10 dias, até 18 de junho, entraram dois doentes no HESE para serem internados e, nos últimos 10 dias, entraram 22. A pressão é completamente diferente”, acrescentou.

Filomena Mendes adiantou que, atualmente, o HESE tem internados 20 doentes com Covid-19, dos quais seis encontram-se na UCI, precisando que “são maioritariamente” casos de Reguengos de Monsaraz ou cuja infeção está associada ao surto nesse concelho.

Dos 20 internados na unidade hospitalar, precisou, apenas “quatro não estão associados ao surto em Reguengos de Monsaraz”.

Segundo a responsável, a unidade hospitalar teve agora que aumentar a sua capacidade de resposta, devido ao surto de Reguengos de Monsaraz, depois de “um longo período” em que não surgiram doentes infetados com necessidade de internamento.

“Tivemos que abrir, mais uma vez, uma segunda enfermaria, que estava preparada para receber doentes Covid-19 e que já está em funcionamento”, numa unidade que tinha internados doentes cirúrgicos, referiu.

Atualmente, sublinhou a presidente do conselho de administração do HESE, a unidade hospitalar conta com 24 camas disponíveis em enfermaria e oito na unidade de cuidados intensivos (UCI) para doentes com Covid-19.

Estamos já a tentar encontrar soluções que permitam aumentar a nossa capacidade no internamento para à volta de 40 camas e também na UCI”, realçou, vincando que as alterações serão feitas “sempre em função das necessidades da região”.

Considerando que “os recursos humanos não são nunca em demasia”, Filomena Mendes revelou ainda que o hospital está a contratar profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros e assistentes operacionais.