O ex-Presidente do Brasil Lula da Silva afirmou esta quinta-feira que é “plenamente possível” que o Partido dos Trabalhadores (PT), maior formação política de esquerda e da oposição do país, não tenha candidato às eleições presidenciais em 2022.

“É plenamente possível que o PT não tenha candidato à Presidência. O PT pode ter candidato a vice. O PT pode ser candidato a outra coisa. Isso é plenamente possível”, declarou, em entrevista ao canal online TV Democracia, Lula da Silva, que cumpriu dois mandatos como chefe de Estado do Brasil (2003-2011).

A resposta do antigo chefe de Estado foi proferida após ser questionado sobre a situação da vizinha Argentina, na qual a ex-presidente Cristina Kirchner aceitou ser vice de Alberto Fernández, vencendo as eleições no país, no final do ano passado. Lula aproveitou para afirmar que o PT é “o maior partido de esquerda da América Latina”.

É preciso ter um candidato que tenha habilidade de tratar os partidos com o respeito que merecem. Não adianta querer discutir com o PT. Não podem querer que o PT abra mão dessa grandeza que o povo lhe deu (nas urnas) a troco de nada. Ou apresenta um candidato maior do que o PT ou não tem hipótese”, avaliou Lula, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.

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O Brasil terá eleições presidenciais em 2022, com o atual Presidente, Jair Bolsonaro, vinculado à extrema-direita, a admitir uma recandidatura.

O antigo chefe de Estado Lula da Silva foi condenado em dois processos por corrupção e está a ser alvo de pelo menos outras sete investigações. Esteve preso durante 580 dias, tendo sido colocado em liberdade em novembro passado. Lula da Silva sempre negou todas as acusações e diz ser vítima de perseguição judicial executada por pessoas que têm ambições políticas.

A condenação retirou o político brasileiro das presidenciais de 2018, quando era o candidato favorito da população, segundo as sondagens realizadas à época, no sufrágio que resultou na eleição de Bolsonaro.

Apesar de estar em liberdade condicional, Lula continua impedido de disputar eleições, por estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa, diploma que proíbe qualquer pessoa condenada em duas instâncias de disputar cargos públicos.