A sociedade, nos dias que correm, está particularmente preocupada com as emissões nocivas que saem dos motores de combustão. Contudo, poucos estão conscientes que as finas partículas geradas pelos pneus e pelos sistemas de travagem são tão ou mais problemáticas.

Os travões, mesmo os mais eficientes que recorrem a discos e a pastilhas, não operam nenhum milagre quando param um veículo antes de um obstáculo. Limitam-se a transformar velocidade, ou energia cinética, em calor, através da fricção. E esta é assegurada pelo esfregar da pastilha no disco, do que resulta uma pequena degradação do disco e um mais evidente desgaste da pastilha. Sucede que este desgaste provoca uma poeira muito fina, que faz mal à saúde dos humanos e de muitos animais que acabamos por ingerir, como por exemplo os peixes.

A especialista em sistemas de travagem Brembo, antes que a Comissão Europeia decidisse intervir e disciplinar esta actividade – o que deverá realizar rapidamente e estender aos pneus, pois estes representam um problema ainda mais grave –, decidiu antecipar-se e propor duas inovações que devem ser aplaudidas, a confirmar-se a reivindicada melhoria no desempenho.

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Para se ter uma ideia, num país como a Alemanha, habitado por 80 milhões, calculou-se que os travões geram 10.000 toneladas de poeira por ano, pelo que é fácil calcular a quantidade de pó tóxico nefasto para a saúde dos humanos produzido pelos 747 milhões de europeus e 328 milhões de norte-americanos, a que é necessário somar muitas outras regiões e países civilizados, com uma forte componente de motorização.

Espelho para diminuir a poeira

A Brembo desenvolveu uma nova tecnologia, que apelidou Greentive, que essencialmente se resume a um novo tratamento da superfície de fricção, verdadeiramente aquilo que interessa num disco. O tratamento da superfície de fricção recorre a uma distribuição a alta velocidade e temperatura de óxidos de combustível, que podem ser de parafina, hidrogénio ou até GLP. Isto gera uma camada muito fina, dura e densa que reveste a superfície de fricção do disco, graças a uma temperatura entre 2700 e 3100ºC, com o gás a ser projectado entre 1500 e 2000 m/s, ou seja, a cerca de 7200 km/h.

A superfície do disco fica tão dura que, uma vez polida e apta a funcionar, mais parece um espelho, sem que isto tenha qualquer valor para o que se pretende: menos poluição e mais duração, pois apenas fica “mais bonito”. O que é importante, isso sim, é que a duração do disco é agora maior, enquanto as emissões de partículas são menores. Como se isto não bastasse, a superfície de fricção passa ainda a ser mais resistente à oxidação, o que reduz a corrosão, sendo igualmente importante, em termos estéticos, que produza menos acumulação de sujidade nas jantes.

O pequeno/grande milagre à custa de uma mola

O segundo avanço anunciado pela Brembo resume-se a uma mola. Não estamos a retirar mérito ao fabricante italiano de material de fricção, pois este é um problema que todos os fornecedores conhecem há décadas e nunca nenhum fez nada para o reduzir ou controlar.

Num sistema de travagem, os pistões, impulsionados pela pressão de óleo, empurram a pastilha contra o disco. Sucede que, mesmo quando os pistões – que podem variar entre um e seis, dependendo de se tratar de um modelo normal ou mais desportivo – não estão a pressionar as pastilhas, estas não têm nenhum motivo para se afastar no disco. Não exercem pressão, mas continuam em contacto, gerando fricção (ainda que reduzida), o que provoca a emissão de partículas e prejuízos em termos de consumo e de eficiência.

Porque as soluções mais simples são tradicionalmente as mais baratas e as melhores, a Brembo resolveu o problema com uma simples mola, ou melhor duas, uma em cada extremidade da pastilha. A mola, que pode ver na galeria ou no vídeo, impede que a pastilha roce no disco quando o condutor não está a aplicar pressão no pedal do travão. Ambas as soluções são tão “básicas” que, acreditamos, rapidamente se tornarão um standard da indústria.