A CP — Comboios de Portugal denunciou o contrato que tinha com a Servirail para a prestação de serviços de refeições e alojamento nos comboios internacionais, que estão suspensos desde março, confirmou à agência Lusa a empresa.

Em comunicado, a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht) deu conta das conclusões de uma reunião esta quinta-feira no Ministério do Trabalho com a Servirail, que pertence ao grupo Newsrest e “explora os comboios internacionais que fazem os percursos Lisboa-Madrid e Lisboa-Hendaye (Lusitânia e Sudexpresso), e a CP Comboios de Portugal, S. A., tendo em vista a retoma da atividade destes comboios parados desde o dia 17 de março”.

Nesse encontro, “a CP informou que denunciou o contrato de prestação do serviço de refeições e alojamento que mantinha com a Servirail há vários anos”, disse a Fesaht, alertando que esta denúncia “sem que haja um novo concurso público para o mesmo serviço, põe em causa o futuro dos 20 postos de trabalho afetos a este serviço“.

Contactada pela Lusa, a CP referiu que “as ligações internacionais ferroviárias (comboios Sud e Lusitânia) mantêm-se suspensas, conforme informação já divulgada pela CP e pela [espanhola] Renfe. As duas empresas estão a trabalhar soluções alternativas para a retoma destas ligações internacionais, com modelos de serviço que conduzam à redução dos prejuízos que lhe estão associados”.

A transportadora disse que, “estando suspensa a realização destes comboios, o serviço de bordo mantém-se igualmente suspenso”, explicando que “o contrato estabelecido com a Servirail para este serviço termina a 31 de dezembro de 2020”.

Foi nesse contexto que, com a data de 90 dias de antecedência, a CP emitiu a carta de denúncia do referido contrato, que visa apenas confirmar a já prevista não renovação do mesmo”, indicou.

A Fesaht notou que “a posição da CP é tomada na véspera da cimeira ibérica prevista para dia 6 de outubro, na Guarda, onde se vão discutir as relações entre os dois países e o reforço da ferrovia”, assegurando que “vai contra o espírito que tem presidido às relações entre Portugal e Espanha”.

A Fesaht manifestou o seu protesto veemente e a sua profunda repulsa por tal ato da CP e exigiu mais ponderação e responsabilidade social”, lê-se na mesma nota.

Por sua vez, a Servirail “confirmou a receção da denúncia do contrato por parte da CP e declarou que está a ponderar iniciar dentro de dias um processo de despedimento coletivo”, indicou a Federação.

Ainda assim, ficou agendada nova reunião para dia 21 de outubro, tendo a Fesaht insistido “na presença do Ministério das Infraestruturas neste processo conciliatório”.

Recorde-se que estes trabalhadores estão sem trabalhar desde o dia 17 de março, estiveram em layoff até 31 de julho, foram altamente penalizados nos seus salários, estão cansados de estar em casa, querem ocupar os seus postos de trabalho e desenvolver a sua atividade profissional, sendo que alguns trabalham neste serviço há 30/40 anos e, agora, foram confrontados novamente com um novo regime de layoff”, rematou a Federação.

A CP garantiu, por sua vez, que “quando estiver definido o novo modelo de exploração para estas ligações ferroviárias, entre a CP e a Renfe, será lançado novo processo de contratação de serviços de bordo, adequado ao formato e exigências desse novo modelo”, segundo a resposta enviada à Lusa.