Era setembro. E como estávamos em 2018 ainda jogávamos na equipa dos abraço e do toque. A Praça do Município, em Lisboa, tinha lugares sem intervalos e via nascer — talvez não nascer, melhor seria dizer “efetivar” — uma das grandes e mais jovens vozes do fado. Foi aí que, acompanhando os preparativos, testemunhado o frenesim do backstage, conhecemos Sara Correia. Nesse contexto, informal, é uma mulher sorridente, com aquele humor meio desbocado. Quando sobe ao palco e abre a garganta é um furacão, mas daqueles que fazemos questão que nos apanhe. Agora, volvidos dois anos, edita Do Coração, segundo disco — isto porque não se conta o primeiro, gravado em 2007, quando tinha 13 anos, depois de ter vencido a Grande Noite do Fado. O que nos traz de novo e que certezas deixa?

Estes dois anos entre discos foram de crescimento, aprendizagem e viagem, muita viagem, diz-nos a fadista: “Foram dois anos incríveis, depois desse concerto não parei de cantar, viajei muito, estive na Coreia do Sul, na Índia, nas Ilhas Reunião, no Chile. O que foi uma experiência maravilhosa, cada vez mais gosto desta coisa de poder viajar para cantar, conhecer outros países e culturas a fazer aquilo que gosto. Às vezes temos o rei na barriga e quando vamos para outros sítios ganhamos plena consciência do quão sortudos somos. É preciso dar valor a isso. Estes dois anos foram mesmo importantes, tanto a nível pessoal como profissional. Só tenho pena de este ano estar a ser assim, mas vamos a isto”, desabafa.

“É preciso cantar cada vírgula”. De onde vem todo este fado de Sara Correia?

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