As autoridades suecas anunciaram que vão adotar medidas mais restritivas contra a pandemia do novo coronavírus depois de o país ter registado um aumento de novos casos nas últimas semanas. Estas entrarão em vigor a 1 de novembro e irão incluir, por exemplo, um limite de 50 pessoas dentro dos estabelecimentos noturnos.

Chegou a hora de as festas nas discotecas acabarem”, afirmou o primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, esta quinta-feira, em conferência de imprensa. “É desrespeitador para os profissionais de saúde, que trabalham dia e noite, verem nos jornais fotografias de discotecas e pistas de danças cheias”.

Assim, a partir do dia 1 de novembro, o país não vai permitir que mais de oito pessoas se juntem por mesa em espaços de restauração e vai fixar um limite de 50 pessoas no interior dos estabelecimentos noturnos. Os eventos públicos podem juntar até 300 pessoas, mas há condicionantes: o público tem de estar sentado e tem de estar garantida a regra de um metro de distanciamento físico.

As regras serão para todo o território sueco, mas há regiões que adotaram medidas mais restritivas. A região de Uppsala, que possui a quarta maior cidade sueca com o mesmo nome, conta com regras especiais, desde a passada terça-feira até 3 de novembro. A localidade, a 70 quilómetros de Estocolmo, tem registado um aumento nos novos casos de Covid-19 desde que os alunos regressaram à universidade aí existente.

Os cidadãos foram ainda “fortemente aconselhados” a não andarem de transportes públicos, a evitarem o contacto físico com pessoas fora do agregado familiar e a evitarem organizar festas. Os estabelecimentos comerciais têm ainda um horário de funcionamento reduzido. Ainda assim, Anders Tegnell, o epidemiologista que tem guiado a Suécia durante a pandemia, afirmou que estas medidas “não são um confinamento, porque um confinamento implica fechar a sociedade toda”.

Apesar destas novas medidas, as restrições na Suécia continuam a ser mais leves do que na maioria dos países europeus. O uso de máscara permanece opcional, por exemplo. As autoridades a defenderem que esta dá uma falsa sensação de segurança e que prejudica os esforços feitos para manter o distanciamento social. “As pessoas só conseguem cumprir medidas mais duras durante um certo período e o timing é importante”, considerou Anders Tegnell, citado pela AFP. “Não se pode começar demasiado cedo e não se pode esperar muito tempo. (…) Esperamos que esta seja a altura [para implementar estas regras]”, afirmou.

Numa Europa que optou pelo confinamento e pelo encerramento de estabelecimentos não essenciais, as autoridades suecas adotaram uma estratégia diferente em março. Anders Tegnell acreditava em maio que a maior vantagem do modelo de imunidade de grupo residia no facto de que, na altura do desconfinamento dos países, a Suécia teria, eventualmente, uma maior imunidade de grupo e um menor número de casos.

Das medidas à imunidade: as explicações do epidemiologista que lidera a resposta da Suécia à Covid-19

Mas estudos têm mostrado que as expectativas de que muitas pessoas possuíssem imunidade de grupo saíram goradas — apenas 7,3% dos habitantes de Estocolmo desenvolveram imunidade à Covid-19, revela um estudo da autoridade de saúde pública sueca.

Penso que a conclusão óbvia é que o nível de imunidade natural (…) não é tão alto como acreditávamos. E penso que aquilo a que estamos a assistir é uma consequência da transmissão heterogénea que a doença tem”, defendeu Anders Tegnell à Time.

A Suécia registou na passada quarta-feira 1.206 casos do novo coronavírus — um aumento face aos números registados em setembro. O país de aproximadamente 10 milhões de habitantes bateu recorde de infeções em 24 horas a 24 de junho, registando 1.698 infeções do novo coronavírus.

Artigo alterado às 11h43 de 23/10/2020